Goiânia, 07 de novembro de 2005.

TERAPIA HEMODIALÍTICA: ADESÃO X QUALIDADE DE VIDA

Nilton Vieira do Amaral

INTRODUÇÃO: A hemodiálise uma das modalidades da terapia renal substitutiva (TRS) é uma opção para a sobrevida do paciente renal crônica. Ela exige restrições que quando atendidas, podem ser definidas com adesão ao tratamento. Neste sentido tem-se buscado elementos para que a sobrevida deste paciente seja de qualidade, abrindo-se assim espaço para outro tipo de preocupação, a dos aspectos emocionais desses e com sua sua qualidade de vida (QV). A Organização Mundial da Saúde define QV como "A percepção do indivíduo de sua posição na vida, no contexto da cultura e sistema de valores nos quais vive e em relação aos seus objetivos, expectativas, padrões e preocupações". A percepção do estado de saúde e da QV dos pacientes, bem como o impacto tanto da doença como seu respectivo tratamento, estão sendo amplamente reconhecidos como coadjuvantes de indicadores tradicionais, na avaliação de necessidades de saúde. Assim sendo o estudo da QV do paciente submetido a TRS e sua relação com adesão ao tratamento é de extrema importância. OBJETIVOS: Avaliar a QV do paciente renal crônico submetido a terapia hemodialítica e sua relação com adesão ao tratamento, definir indicadores que demonstrem a aderência e identificar quais os aspectos da vida do paciente são mais afetados pela terapia. METODOLOGIA: Pesquisa descritiva exploratória, com uma abordagem quantitativa, realizada no Instituto de Doenças Renais Ltda em Porto Alegre/RS, com 50 pacientes submetidos a terapia hemodialítica, divididos em dois grupos, aderentes e não aderentes ao tratamento. O instrumento utilizado foi o "Short Form Health Survey - SF36", que avalia os seguintes aspectos: emocionais, físicos, funcionais, sociais, vitalidade, dor, saúde mental e geral. RESULTADOS: Indicadores de adesão selecionados: faltas às sessões, ganho de peso interdialítico e o potásio sérico pré-dialítico. Os domínios do instrumento SF36 mostram que o grupo considerado não aderente apresentou escores superiores ao grupo considerado aderente. Os aspectos que apresentaram baixos escores nos dois grupos foram os emocionais. No domínio relativo à saúde mental o teste "t de Student" mostrou uma diferença significativa entre os grupos. CONCLUSÕES: A pesquisa mostra que a aderência ou não ao tratamento não altera a QV, na percepção dos grupos estudados, conforme mostram os escores dos domínios do instrumento SF36 e a aplicação do teste "t de Student" que não mostrou diferenças significativas entre eles nos demais domínios.

Correspondência para: Nilton Vieira do Amaral, e-mail:

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