COM A VOZ A PUÉRPERA
Maria Salete Bertotto
Nilva Lucia Rech Stédile
A busca por uma maior compreensão da mulher em um dos seus mais significativos momentos, o puerpério, a identificação de possíveis problemas e necessidades experimentados por ela nesse período e da forma como os serviços públicos de saúde têm contribuído com as puérperas no cuidado consigo mesmas e com o recém-nascido, foram os objetivos desta pesquisa a qual resulta de monografia de conclusão do curso de especialização em Enfermagem Obstétrica. Um trabalho descritivo e exploratório que, por tratar de tema altamente subjetivo, subsidiou-se na metodologia qualitativa, na entrevista semi-estruturada, por desejar ouvir por meio da própria voz das mulheres tudo aquilo que elas desejassem dizer sobre a experiência de querer, ter e criar um filho: o primeiro. Para efetivo entendimento os depoimentos foram gravados, transcritos e organizados, posteriormente, mediante agrupamento dos temas comuns e das expressões similares, estratégia que foi dando origem gradativamente aos Discursos do Sujeito Coletivo, seguindo metodologia de Lefèvre (2000). A amostra foi constituída por dez mulheres em período de puerpério tardio, primíparas adultas, que tiveram parto vaginal, com gestação a termo, usuárias de Unidades Básicas de Saúde, em uma cidade de grande porte do interior do RS. Em seus depoimentos estavam explícitos seus pensamentos, sentimentos e percepções os quais possibilitaram entender, entre outros aspectos, os seguintes: o puerpério é vivenciado com maior ou menor parcela de tranqüilidade e harmonia, na dependência da capacidade da mãe em adaptar-se às mudanças físicas, psicológicas e sociais que o recém-nascido lhe impõem; o recém-nascido exige grande dose de doação e dedicação dos progenitores, em especial da mãe; a presença do parceiro junto à mãe, nesse período transcende o simples apoio que ele possa representar; o grupo familiar ainda é o grande esteio da puérpera na sua recuperação e no cuidado da criança nessa fase; os serviços e equipes de saúde vem de forma lenta mas, progressiva, cumprindo com seu papel de assistir e cuidar da puérpera e do recém-nascido. Esses achados remetem para a importância de realizar a escuta cuidadosa das puérperas como forma de adequar os serviços oferecidos e capacitar a equipe de saúde para orientar o pré-natal e o puerpério adequadamente.
Correspondência para: Maria Salete Bertotto, e-mail: saletebertotto@terra.com.br
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