Goiânia, 07 de novembro de 2005.

CONCRETICIDADE DO VÍNCULO DO/NO PROGRAMA DE SAÚDE DA FAMÍLIA

Edilza Maria Ribeiro

O vínculo de compromisso e co-responsabilidade foi proposto no PSF objetivando o alcance de finalidades estratégicas tais como auxiliar na transformação do modelo assistencial biomédico, hospitalocêntrico, para o de produção social da saúde, ao nível da Atenção Básica de Saúde. Em função desta importância, desenvolveu-se um estudo de caso, orientado pela dialética, com o objetivo de investigar em que medida as relações que médicos e enfermeiras, membros de uma equipe de saúde da família, estabeleceram com usuários (individual e coletivo) numa comunidade com o PSF implantado, constituíram-se como vínculo no sentido estratégico requerido pelo PSF. A investigação realizou-se de setembro de 2003 a março de 2004, num bairro do município de São José, vizinho da capital do Estado de Santa Catarina, cujo Centro de Saúde (do tipo NSII) dispunha de três ESF. Configurou-se uma estrutura conceitual agregando concepções teóricas de Pinchon-Rivière, Campos, Merhy, Franco, e documentos oficiais do PSF. A coleta dos dados ocorreu principalmente através da observação de campo e entrevistas gravadas, individuais e coletivas com médicos, enfermeiras, usuários, auxiliares de enfermagem, agentes comunitários de saúde (ACS). Da análise dos dados, orientada em Bardin emergiram dois temas. O primeiro foi nomeado “o vínculo que se constrói” composto pelas categorias: “é um pouco injusto pedirem esse vínculo da gente”; “o vínculo que a gente estabelece não é num PSF mesmo”; “vínculo se constrói a partir de algumas bases”; “às vezes a gente consegue”. O segundo tema foi “o vínculo requerido tem vários obstáculos” e compôs-se das categorias:”às vezes a gente não consegue”;“tem coisas que dificultam/atrapalham”; “o vínculo construído também se desconstrói”; “o que tem que ter/o que tem de mudar”. Evidenciou-se que o vínculo de compromisso e co-responsabilidade esteve enredado numa trama de influências/determinações advindas do macro, meso e micro contexto, que seus autores são múltiplos, mas aos médicos e enfermeiras (e outros elementos das equipes) coube experienciar as conflitualidades do jogo entre ‘dever' e ‘poder' estabelecer o vínculo no sentido estratégico requerido. O modelo de atendimento em saúde vigente na realidade investigada foi o biomédico, o qual sendo validado pela gerência e gestão, pela população e pelos médicos e enfermeiras, produziram a pseudo-concreticidade do vínculo. Os dados apontaram ainda para o que tem que ter/tem nque mudar no PSF.

Correspondência para: Edilza Maria Ribeiro, e-mail: edilzamr@linhalivre.net