A CONCEPÇAO DO SER HUMANO NO CURRÍCULO INTEGRADO DA ENFERMAGEM – UEMS
Rogério Dias Renovato
Elaine Aparecida Mye Takamatsu Watanabe
Fabiana Perez Rodrigues
Lourdes Missio
Márcia Regina Martins Alvarenga
Vivian Rahmeier Fietz
O Currículo Integrado do Curso de Enfermagem da UEMS foi implantando em 2004, decorrente de uma construção coletiva e sistematizada, sendo realizadas oficinas pedagógicas, reuniões e seminários. A proposta curricular teve a participação de docentes, discentes, técnicos e comunidade externa. A finalidade desse trabalho é relatar a concepção do ser humano adotada, os seus múltiplos sujeitos e identidades que se constroem nas relações sociais, econômicas, políticas e culturais na alteridade: Ser Usuário/cliente/paciente, Ser Enfermeiro, Ser Educando, Ser Educador. Partimos do pressuposto que, na Enfermagem, o ser humano assume um papel de sujeito de si e não apenas objeto do cuidar, constituído de história de vida e vivências, cujas realidades espelham a diversidade cultural sul-matogrossense, composta de migrantes, imigrantes, indígenas, estrangeiros da fronteira (Paraguai e Bolívia), assentados, sem-terra e demais usuários do SUS. Entendemos que o ser, que busca e requer cuidado sistematizado deve ser considerado na sua totalidade, prevenindo qualquer visão fragmentada e mecanicista. O Ser Enfermeiro não se constrói apenas em nossa Instituição, mas é tecido pelos encontros de estudantes e futuros profissionais, entre os enfermeiros não-docentes, e as representações construídas e disseminadas do ser enfermeiro pelo Outro. Esse Outro pode ser um profissional de saúde, os familiares e vizinhos, a mídia e o outro coletivo. Utilizamos o referencial de Wanda Horta, em que o ser enfermeiro é o ser humano dotado de potencialidades e restrições, permeado de alegrias e frustrações, porém compromissado com o outro. Assim, acreditamos ser possível contribuir na formação do enfermeiro humanista, crítico, reflexivo, ético, generalista e cidadão. Os conceitos do Ser Educando e do Ser Educador estão imersos em uma tessitura complexa, cujo processo educativo se configura em encontros entre esses dois atores nos mais variados espaços e tempos. Partimos de uma concepção dialógica, em que o educando possui capital cultural, social e econômico provenientes do seu meio e o educador constitui-se como agente facilitador do processo de formação, atuando de forma criativa e compromissada com a formação e emancipação política do futuro enfermeiro. O encontro de todos estes Seres envolvidos, que participam diretamente da formação, apresenta-se de forma contextualizada permitindo não apenas acrescentar informações, mas provocar reflexões, transformações e mudanças em suas práticas.
Correspondência para: Rogério Dias Renovato, e-mail: rrenovato@uol.com.br
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