EDUCAÇÃO PROFISSIONAL EM ENFERMAGEM: OS (DES)CAMINHOS DA GLOBALIZAÇÃO
Cristiane Pessôa da Cunha Lacaz
Greicelene Aparecida Hespanhol Bassinello
Lourdes Missio
Lúcia Pedroso da Cruz
Maria Helena Salgado Bagnato
Rogério Dias Renovato
O processo de globalização traz uma realidade complexa e se revela por relações sociais excludentes. As transformações nos setores produtivos e de serviços influenciam a formação profissional, requerendo nova qualificação dos trabalhadores. Neste trabalho, discutimos o processo de globalização e as mudanças na educação profissional em Enfermagem. As legislações em vigor refletem interesses da política neoliberal presente no Estado, mostrando sintonia com as mudanças estruturais da reorganização mundial produtiva, enfatizando a racionalização de recursos e a redução da participação do Estado nas políticas sociais. Isto leva a indagar sobre possibilidades de buscar e organizar uma formação profissional que considere tanto necessidades do trabalhador quanto perspectivas do mercado. Implica no enfrentamento de contradições e desafios presentes, não como uma situação determinada, mas condicionada portanto, com possibilidades de transformações, ensejando uma formação politécnica preocupada com a construção do homem omnilateral, centrada numa unidade orgânica entre educação, trabalho e conhecimento. Vislumbramos uma formação que desenvolva as múltiplas dimensões do ser humano, condição fundamental para a cidadania e a compreensão das mudanças no mundo do trabalho e na sociedade. As legislações que regulamentam a educação profissional introduzem mudanças significativas na estrutura do ensino profissionalizante, perpetuando a mesma lógica e princípios de organização por áreas profissionais e dando continuidade à proposta do itinerário formativo - que objetiva a qualificação para o trabalho e a elevação do nível de escolaridade do trabalhador. No ensino médio de Enfermagem a possibilidade de diferentes modelos de organização e a autonomia das escolas em seus projetos pedagógicos possibilitam a criação de novos cursos e planos de ensino baseados nestas alternativas de articulação. Entendemos que esta questão pode pronunciar um acelerado crescimento do número de escolas profissionalizantes, principalmente no setor privado, além do risco de assumir uma perspectiva minimalista e aligeirada do processo de formação. A partir do exposto, defendemos que o ensino profissionalizante em Enfermagem deve assumir uma perspectiva técnica integrada a uma educação geral. O momento requer releituras das legislações existentes no sentido de eleger estratégias e possibilidades de mudanças coerentes que contemplem as necessidades sociais e de saúde da maioria da população.
Correspondência para: Greicelene Aparecida Hespanhol Bassinello, e-mail: greicelene@uniararas.br
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