PLANEJAMENTO PARTICIPATIVO: COMPARTILHANDO PODER
Francine Lima Gelbcke
Cinara Porto Pierezan
Élcio de Souza
Izabel Cristina dos Santos
Léia Emília May
Maria Beatris Kamke
Maria Patrícia Locks de Mesquita
Tânia Regina Furtado Aguiar
Neste relato de experiência, busca-se apontar como a realização do Planejamento Estratégico Participativo da Diretoria de Enfermagem pode se constituir num momento de compartilhar poder, estimulando a definição de projetos coletivos e solidários e a capacitação dos trabalhadores. Teve como objetivos atender a necessidade interna de organização, estabelecer metas e planos de ação, bem como formar os trabalhadores e responsabilizá-los com a missão institucional – cuidar, educar e pesquisar. Foi desenvolvido entre julho a dezembro de 2004, no Hospital Universitário Polydoro Ernani de São Thiago da UFSC, iniciando pelos serviços, após pelas quatro divisões, culminando com o da Diretoria. No nível dos serviços, envolveu todos os trabalhadores e nas divisões e diretoria, houve indicação de representantes. Como resultados salienta-se a riqueza do processo de discussão, viabilizando pensar o cotidiano, buscar novas formas de enfrentamento das adversidades, revitalizando a construção coletiva como uma forma de fortalecer a profissão. No processo de construção, definiu-se missão, visão de futuro, valores e crenças, levantou-se oportunidades e ameaças do ambiente externo, fortalezas e fragilidades do ambiente interno e a partir do diagnóstico inicial, traçou-se objetivos estratégicos, elaborando-se o plano de ação dos objetivos prioritários. Destaca-se, no processo, a forma como os serviços foram se engajando, a possibilidade de discutir a enfermagem do HU, o que somos e o que queremos. Mais que buscar alternativas para as dificuldades relacionadas à estrutura física e aos recursos humanos, em muitos casos deficitários, este momento possibilitou reavivar as esperanças, a solidariedade, o compromisso com o outro – quer usuário, quer trabalhador de enfermagem, no sentido de construir uma enfermagem cada vez mais forte, com objetivos definidos, com um horizonte a buscar. Conclui-se que com a realização do planejamento foi possível olhar o cotidiano, as relações, oportunidades e ameaças, fortalezas e fragilidades e mais do que organizar, permitiu-se repensar o cuidar, o educar e o gerenciar. Buscou-se, estimular a produção da autonomia e da criatividade, rompendo-se com certa apatia que parecia imobilizar os trabalhadores à participação, à reflexão, que levava a um fazer rotineiro, sem motivação, para um processo que favorecesse olhar o cotidiano, buscar novas perspectivas, ter esperanças, permitindo a descoberta das próprias possibilidades de mudança.
Correspondência para: Francine Lima Gelbcke, e-mail:
fgelbcke@nfr.ufsc.br
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