Goiânia, 07 de novembro de 2005.

SER UMA PESSOA MUITO IDOSA: A COMPREENSÃO NECESSÁRIA PARA O CUIDAR

Célia Pereira Caldas

Carina Berterö

Este estudo fenomenológico-hermenêutico é uma investigação sobre a vivência de ser muito idoso. A perspectiva teórica em Enfermagem é a da advocacia existencial aplicada à prática de Enfermagem de Sally Gadow. O conceito de advocacia existencial é baseado no princípio da valorização da liberdade de autodeterminação como o direito humano mais fundamental. Não é o profissional, mas o paciente quem determina quais são os seus "maiores interesses". Baseado nos resultados deste estudo e de acordo com os princípios da Enfermagem existencial, há uma necessidade dos enfermeiros compreenderem a capacidade de autodeterminação de adultos muito idosos. O propósito deste estudo é obter conhecimento compreensivo do fenômeno “ser muito idoso”, a partir das experiências vividas pelos próprios indivíduos. O objetivo específico é aprofundar a compreensão e o conhecimento de como pessoas com mais de 85 anos experimentam o ser muito idoso no Rio de Janeiro. Os autores apresentam a experiência vivida de 16 pessoas, 10 mulheres e 6 homens, com idades variando entre 85 e 88 anos vivendo em suas casas, no Rio de Janeiro. As entrevistas foram gravadas, transcritas, analisadas e interpretadas de acordo com a fenomenologia existencial de Heidegger. O resultados foram discutidos à luz da perspectiva teórica adotada e relacionados à literatura. A estrutura do fenômeno emergiu através dos seguintes temas: Descontentamento a vida atual e desejo de uma vida melhor em um futuro incerto; Auto-estima; Relacionamentos interpessoais e; Adaptação contínua. Estes quatro temas conduziram à essência: Transição pragmática para a velhice (priorizando a vida) em um futuro restrito. Conclusões: Embora tenham consciência de estar vivendo perto do limite do seu tempo, os sujeitos permanecem ligados à vida, buscando formas de permanecererem úteis e mantendo a esperança. Entender o significado de ser uma pessoa muito idosa que vive em uma cidade grande em um país em desenvolvimento é importante para que se desenvolvam intervenções de enfermagem que apoiem estas pessoas para se manterem independentes no sentido de se auto-determinar. Apoios: The Swedish Institute, Jönköping University – The Institute of Gerontology, a UERJ e a STINT (A Fundação sueca para Cooperação Internacional em Pesquisa e Ensino superior) apoiaram este estudo e fizeram esta colaboração internacional possível através de apoio financeiro.

Correspondência para: Célia Pereira Caldas, e-mail: ccaldas@uerj.br