Goiânia, 07 de novembro de 2005.

PLANEJAMENTO EM SAÚDE: BRINQUEDOTECA NA UNIDADE DE SAÚDE DA FAMÍLIA

Maria Aurelia da Silveira Assoni

Sueli Moreira Pirolo

Danize Gasparotto Castilho

Este artigo descreve um relato de experiência de um Planejamento em Saúde numa Unidade de Saúde da Família (USF) realizado a fim de facilitar a compreensão da realidade, a identificação dos problemas centrais segundo a visão de um determinado ator social (coletivo de pessoas capaz de intervir nesta situação), sua análise e a elaboração de propostas para enfrentá-los. O reconhecimento da área de abrangência, do perfil sócio-econômico e epidemiológico do CDHU (Unidade de Saúde da Família) foi de extrema importância para a identificação da população, já que a área está inserida no Núcleo Habitacional Paulo Lúcio Nogueira (projeto popular do Governo do Estado) criado para atender famílias de baixa renda que não possuíam moradia própria. O perfil da unidade quanto a delimitação da área física, recursos materiais e humanos contribuiu para reconhecer fatores de risco como as situações de estresse encontradas antes de um procedimento ou consulta de puericultura. Mediante os dados levantados, a equipe pôde identificar problemas que poderiam ser trabalhados e o escolhido foi: “Espaço Físico inadequado para a espera das consultas de pediatria” tendo como análise que o conjunto não dispõe de áreas de lazer ou playground; a situação social/financeira familiar desfavorável dificulta o acesso a atividades e brinquedos educativos/pedagógicos/lúdicos; falta de tempo dos pais que trabalham e deixam seus filhos "em casa" (perambulando pelos estacionamentos) com risco de atropelamento e de ingressar na drogadicção/prostituição; ociosidade fora do período escolar; falta de acesso e à literatura infantil/revistas em quadrinhos; ausência de estímulo para desenvolvimento neuropsicomotor. O ambiente físico da USF deve ser visto com enfoque, pois pode influir na adaptação da criança e o entrosamento ocorre se o local for alegre e acolhedor, onde ela possa exteriorizar medos, liberar tensões, enfrentando as situações de estresse. O objetivo deste trabalho é descrever o projeto de uma Brinquedoteca e sua importância como estratégia de humanização na rede básica de saúde onde o enfermeiro através do brinquedo pode realizar vínculo contribuindo para detectar mais facilmente uma necessidade de saúde. Desta forma, ocorre a modificação cultural da população quanto ao papel da unidade podendo ser estimuladas para atividades coletivas, vivência social e para o exercício da cidadania.

Correspondência para: Maria Aurelia da Silveira Assoni, e-mail: aurelia@famema.br