UM ESTUDO DOS CASOS DE SÍFILIS CONGÊNITA EM UM HOSPITAL DE ENSINO
Geisa Fernanda Melo Pimentel
Haydée Christina Xavier da Costa
Vera Lúcia de Azevedo Lima
INTRODUÇÃO: A Sífilis é uma infecção causada pela disseminação hematogênica do Treponema pallidum. De acordo com informes da Organização Mundial de Saúde, nos países subdesenvolvidos, em torno de 10 a 15% das gestantes seriam portadoras de Sífilis. No Brasil, estima-se que 3,5% das gestantes sejam portadoras dessa doença, havendo risco de transmissão vertical do Treponema pallium ao redor de 50 a 85% e taxas de mortalidade perinatal de até 40% (DE LORENZI: MADI, 2001). OBJETIVOS: verificar a prevalência dos casos notificados de Sífilis Congênita; traçar o perfil epidemiológico dos casos de Sífilis Congênita em recém nascidos e gestantes na Fundação Santa Casa de Misericórdia do Pará (FSCMP), e elaborar um plano de ação educativa para gestantes. METODOLOGIA: Tipo de estudo: estudo descritivo, retrospectivo, como abordagem quantitativa. Cenário do estudo: ocorreu na FSCMP hospital de ensino e referência materno infantil. Coleta de dados: por meio das Fichas de Notificação compulsória da Vigilância Epidemiológica, prontuários, registros de nascidos vivos e resultados de exames no período de janeiro à julho de 2003. RESULTADOS: Verificou-se que, dos 3341 nascidos vivos, 1,13% (40) foram casos notificados de sífilis, além desses, 21 casos não foram notificados. Constatou-se que as gestantes dos casos notificados de Sífilis Congênita, 55,0% (22) possuíam idade inferior a 19 anos, 35% (14) tinham escolaridade de 8 a 11 anos de estudos concluídos, 45,0% (18) eram primigestas. Observou-se também que, 77,5% (31) realizaram o pré-natal, 47,50% efetuaram 2 a 5 consultas, 45,0% (18) tiveram sífilis diagnosticada no pré-natal e 62,5% (25) tiveram 1 parceiro sexual, no entanto, 55,2% (21) não foram tratados. Quanto aos recém-nascidos, 65% (26) foram a termo, 65,0% (26) com peso maior que 2500 gramas, 82,50% (33) assintomáticos e 85% (34) realizaram o teste de VDRL no sangue periférico. CONCLUSÃO: Constatou-se que as mães eram adolescentes com baixo nível de escolaridade, que necessitam ser esclarecidas sobre a importância do pré-natal e os aspectos clínicos da Sífilis Adquirida e Congênita. Quanto aos recém-nascidos, por terem sido diagnosticados e tratados precocemente no parto, as manifestações clínicas não foram exacerbadas. Sugere-se um plano de ação educativa em saúde para as gestantes e para os profissionais da área da saúde, educação permanente sobre a Vigilância Epidemiológica da Sífilis Congênita.
Correspondência para: Vera Lúcia de Azevedo Lima, e-mail: veraluci@ufpa.br
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