Goiânia, 07 de novembro de 2005.

EDUCAÇÃO PERMANENTE E O IMPACTO NA FORMAÇÃO DO ENFERMEIRO

Luciana Pavanelli Von Gal de Almeida

Paula Miranda da Silva

Clarice Aparecida Ferraz

Fernanda de Paula Rossini

INTRODUÇÃO: Os gestores do sistema de saúde, têm intensificado o foco na estratégia de educação contínua dos profissionais, tendo em vista o impacto da ciência e da transformação tecnológica, a incorporação da noção de cidadania pela população que reivindica a operacionalização do conceito de saúde como bem público, o qual traz em si a exigência de qualidade no atendimento. Assim, as organizações de saúde e as equipes de trabalho precisam implementar uma dinâmica de aprendizagem e inovação que as conduzam à aquisição de capacidade de acompanhamento das mudanças observadas no mundo do trabalho em saúde. Hoje a educação em serviço vem sendo pensada como educação permanente com o propósito de reorganizar o sistema de saúde enfatizando o próprio contexto de trabalho como cenário privilegiado para a aprendizagem. Este estudo foi desenvolvido no CTI da UEHCFMRP-USP, considerando que a instituição havia adotado um modelo de gestão colegiada com maior participação de todos os profissionais nas decisões da instituição, objetivando compartilhar responsabilidades. Fez-se opção por um processo educacional em serviço com dinâmicas vivenciais. OBJETIVOS: Descrever a contribuição do processo educacional vivenciado na Unidade de Terapia Intensiva, para o desenvolvimento profissional dos enfermeiros e sua repercussão na produtividade e qualidade da atenção. METODOLOGIA: Trata-se de estudo exploratório descritivo. Os dados foram coletados por meio de entrevista semi-estruturada. RESULTADOS: A análise das falas possibilitou compor quatro núcleos temáticos: as práticas educativas na modalidade de educação permanente não se organizam segundo estrutura didático-pedagógica formal; há evidências de contribuição da proposta pedagógica em serviço para o desenvolvimento profissional do enfermeiro; a proposta pedagógica rearticulou o enfermeiro na equipe de enfermagem, mas com baixo impacto nas relações grupais; na perspectiva da produção de serviços e qualidade os profissionais de enfermagem revelam que a proposta pedagógica trouxe impacto positivo no trabalho, mas sem sustentação permanente. CONSIDERAÇÕES FINAIS: Analisamos que a adoção dessa metodologia ação-reflexão-ação evidenciou dificuldades e resistências para a maioria dos profissionais, devido à dificuldade de articulação de dois momentos: o de cuidar e o de aprender. Todavia houve aumento da qualidade e produtividade no trabalho, mas sem garantia dos avanços devido à descontinuidade da proposta.

Correspondência para: Fernanda de Paula Rossini, e-mail: ferpaularossini@yahoo.com.br