REAÇÕES HANSÊNICAS NO DISTRITO FEDERAL (BRASIL)
Maria Beatriz de Sousa Miranda
Maria do Socorro Nantua Evangelista
Eliza Regina Mello
INTRODUÇÃO: A prevalência da hanseníase tem declinado como conseqüência da consolidação do tratamento poliquimioterápico. Segundo os autores, as bactérias residuais e/ou seus fragmentos devem ser eliminados pelo sistema imunológico, sendo que portadores dessa enfermidade, mesmo declarados curados, ainda estão propensos às reações hansênicas, classificadas como do tipo I ou reversas e do tipo II ou eritema nodoso (VIJAYAKUMARAN et al. , 1995), causando incapacidades e deformidades, bem como responsáveis pela manutenção do estigma da hanseníase (GOULART et al. , 2002a; RAMBUKKANA, 2004). OBJETIVO: O objetivo é analisar as reações hansênicas no Distrito Federal entre 1999 e 2003. METODOLOGIA: Trata-se de um estudo de coorte retrospectivo. Foram incluídos 245 casos novos de hanseníase, residentes no Distrito Federal, com a forma multibacilar e esquema de tratamento de 12 ou 24 doses de PQT, registrados em 4 Unidades de Saúde. Na construção do banco de dados, utilizou-se o programa SPSS 11. 5 e EpiInfo 6. 0. Na análise estatística, empregou-se o Qui-Quadrado, Intervalo de Confiança (95%), Risco Relativo e Densidade de Incidência. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética da SES-DF (Parecer No 065/2003). RESULTADOS: Os 245 casos de portadores de hanseníase multibacilar no Distrito Federal tinham idade entre cinco e 80 anos, sendo 166 homens e 79 mulheres. Cerca de 151 pessoas apresentaram reações durante o tratamento e, após a alta, 124 clientes. Os casos com baciloscopia negativa e reações do tipo I apresentaram maior proporção em relação aos doentes bacilíferos e, reação do tipo II, com diferença estatística. Os sujeitos apresentaram maior proporção de reações do tipo I com Índice Baciloscópico (IB)= 0 - 1,99 e tipo II, (IB) entre 2,00 - 5,99. Durante o tratamento, o número de episódios reacionais por paciente variou de 1 a 11 episódios e, após a alta, esta freqüência oscilou entre 1 a 19 reações. A média das reações verificadas no pós-tratamento foi 3,68 episódios por paciente. Ressalta-se que 70,6% dos doentes, com IB=0,25-1,99 e esquema de 24 doses, não mostraram reações após o esquema terapêutico, com diferença significativa (p=0,00002). Os doentes com esquema terapêutico de 12 doses registraram um risco duas vezes maior para desenvolver reações pós-alta do que os doentes com 24 doses. CONCLUSÃO: Os resultados apontaram que as reações hansênicas são um problema importante de saúde pública, particularmente, neste momento de eliminação da enfermidade.
Correspondência para: Maria Beatriz de Sousa Miranda, e-mail: mbsmiranda@ibest.com.br |