Goiânia, 07 de novembro de 2005.

MÃES E FILHOS ENFRENTANDO ESTRESSORES PRÉ-CIRÚRGICOS

Lucimeire Carvalho

Cláudia Geovana da Silva Pires

Cátia Andrade Silva

Edleide Xavier Barreiros

Ana Carla Petersen

Climene Laura de Camargo

Lucimeire Santos Carvalho

A cirurgia representa uma ameaça para a constância do meio interno dos indivíduos, por produzir fatores que tendem a perturbar a ação dos seus mecanismos de homeostasia/adaptação, contribuindo para a conseqüente desestabilização. Portanto, para a enfermagem prestar uma assistência adequada à família e a criança que irá se submeter a um procedimento cirúrgico deve saber avaliar as respostas humanas de enfrentamento aos estressores pré-ciúrgicos que permeiam tal evento. A enfermagem busca elementos que revelem a singularidade humana, para que possa personificar o cuidado, tornando-o individual e único. Desse modo, o objetivo desse estudo foi descrever a experiência de mães e crianças no enfrentamento de estressores pré-cirúrgicos. Para o entendimento dessa vivência a investigação teve caráter exploratório, descritivo, e abordagem qualitativa. Foram utilizadas como técnicas de coleta de dados: a observação não-participante e a entrevista com as mães. Participaram do estudo nove crianças em idade pré-escolar, que estavam internadas no setor Pediátrico–cirúrgico de um hospital filantrópico em Salvador no período de janeiro a março/2003. A interpretação dos achados permitiu a construção de cinco categorias: Tendo medo; Desejando ser protegida, Sensibilizando-se, Revoltando-se e Sentindo-se só. Apesar das crianças não relatarem diretamente o que sentem, pois os seus discursos são muitas vezes imaturos, expressam pelas mudanças de comportamento o que se passa dentro delas e da intranquilidade que experimentam com o imprevisível e incontrolável da condição cirúrgica. As categorias revelam que a criança diante de tantos estressores sofre, e apresenta diversas emoções que retratam esse sofrimento, exteriorizadas pelo: medo, necessidade de proteção, curiosidade, solidão, entre outros. E suas mães, por sua vez, mostram-se apreensivas, preocupadas, permanecendo ao lado do seu filho e passando junto com ele esse sofrimento. Portanto, necessitam de apoio, de acompanhamento do profissional de saúde, que na expressão autêntica do cuidado deve estar presente, para que efetivamente o cuidar da criança e mãe no enfrentamento de uma cirurgia seja positivo. Com essa compreensão, o cuidador pode ajudar no enfrentamento ou minimizar as dificuldades enfrentadas pelas crianças e suas mães durante o pré-cirúrgico.

Correspondência para: Cláudia Geovana da Silva Pires, e-mail: cgspires@uol.com.br