Goiânia, 07 de novembro de 2005.

IDOSOS ASILADOS E SUA PARTICIPAÇÃO NO CUIDAR

Lucimeire Santos Carvalho

Cátia Andrade Silva

Ana Carla Petersen

Cláudia Geovana da Silva Pires

Edleide Xavier Barreiros

Lucimeire Santos Carvalho

O cuidar, historicamente, pode ser considerado como um ato indispensável à base da vida humana e manutenção da sociedade. Normalmente, esse cuidar é dispensado pela rede social de apoio, representada pela família e amigos. Todavia, os seres humanos, durante o processo natural de envelhecimento tendem a ter essa rede de apoio social reduzida devido a fatores como falecimentos, formação de novos núcleos familiares, etc. No que tange o idoso asilado essa rede tende a diminuir, não só pelos fatores já citados, como também, pelo próprio processo de asilamento que muitas vezes ocasiona o distanciamento dos familiares e amigos. No que se refere ao cuidar no âmbito asilar, essa prática tem grande relevância, pois devido às carências ocasionadas pela idade avançada estes indivíduos tendem a necessitar de cuidados que são dispensados, na grande maioria das instituições, pelo cuidador de idosos e às vezes pelos próprios companheiros de asilamento. No intuito de compreender esse fenômeno o presente estudo tem o objetivo de analisar como os idosos asilados participam do cuidar dos companheiros de asilamento. Essa pesquisa é de natureza qualitativa e caracteriza-se como de campo - exploratória, foi realizada numa residência geriátrica situada na cidade do Salvador-Bahia, no período compreendido entre dezembro de 2003 a fevereiro de 2004. Para coleta dos dados foi utilizada entrevista semi-estruturada. Foram entrevistados 15 idosos, dos quais doze eram mulheres e três eram homens, todos asilados há mais de oito meses. A análise dos dados foi realizada através da análise de conteúdo temática tendo emergido as seguintes categorias: sofrendo durante o processo de cuidar; dedicando-se durante a realização dos cuidados; desejando cuidar do outro; ressentindo-se por não ter podido cuidar; e cuidando das necessidades básicas do outro (psico-biológicas, psico-espirituais e psico-sociais). Notou-se, também, que a totalidade dos idosos referiu ter pouco contato extra-instituição revelando uma rede social de apoio extremamente reduzida e em alguns quase inexistente. Compreendemos, então, que quando o idoso pratica o autocuidado ou cuida do outro, sente-se útil para a comunidade em que vive. E, podemos inferir que o enfermeiro deve incentivar a participação dos idosos asilados no processo de autocuidado e dos outros institucionalizados, desde que esse processo seja condizente com as limitações físicas e emocionais dos idosos não levando a nenhum risco de vida para ambas as partes

Correspondência para: Cláudia Geovana da Silva Pires, e-mail: cgspires@uol.com.br