Goiânia, 07 de novembro de 2005.

RISCO PARA INFECÇÃO DE SÍTIO CIRÚRGICO EM ORTOPEDIA

Lucimeire Santos Carvalho

Joice Santos da Silva

Cátia Andrade Silva

Ana Carla Petersen

Kátia Mendes da Silva

O compromisso do profissional enfermeiro com o controle da infecção hospitalar (IH) é algo consensual e tem sido bastante discutido e difundido, de modo particular, pelos enfermeiros atuantes nas Comissões de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH). Contudo, na maioria das instituições, a vigilância do Serviço de Controle de Infecção Hospitalar (SCIH) está limitada ao tempo de permanência do paciente na instituição, o que acarreta subnotificação da infecção. Considerando o exposto, o estudo teve como objetivos determinar a incidência de infecção em sítio cirúrgico de pacientes submetidos a cirurgias ortopédicas em HD (Hospital-Dia) e os fatores de risco relacionados à ocorrência dessas IH. Trata-se de uma pesquisa quantitativa, retrospectiva, tipo coorte que foi realizada no mês de março de 2005, num HD privado de Salvador-Ba, com população amostral de 14 pacientes. Os dados foram extraídos dos prontuários e confirmados por contato telefônico com os pacientes do estudo em questão. Esses dados foram submetidos ao cálculo epidemiológico de risco relativo, buscando verificar a relação da variável dependente - infecção hospitalar, com as variáveis independentes - sexo, idade, grau de instrução, nível sócio-econômico, obesidade, tabagismo, classificação da ASA, patologia de base, potencial de contaminação da ferida operatória, cirurgia prévia no sítio cirúrgico, motivo da cirurgia, tempo cirúrgico, tricotomia e não uso de antimicrobiano profilático foi do tipo risco. Os dados foram tabulados e posteriormente cruzados pelo programa EXCEL® a fim de que os resultados pudessem ser expressos em forma de gráficos e tabelas. Como resultados verificou-se que a taxa de infecção de sítio cirúrgico no HD - 9,1%, foi superior ao preconizado pela literatura, a qual classifica-se em torno de 2% para ortopedia. Foram identificados como fatores de risco: o potencial de contaminação da ferida (13), doença de base do hospedeiro (13), cirurgia prévia no sítio cirúrgico (6), gravidade do paciente (3,7), nível social (2,5), tricotomia (1,3) e sexo (1,1). A classificação ASA I e II (critérios de risco da Sociedade Americana de Anestesiologia) destacou-se por se comportar como fator protetor, a antibioticoterapia profilática não foi fator protetor nesta pesquisa. Os achados ratificam a necessidade de companhamento dos egressos de cirurgias provenientes de HD e a estratificação dos riscos de infecção por procedimento cirúrgico, afim de nortear as ações dos profissionais de saúde.

Correspondência para: Kátia Mendes da Silva, e-mail: meirebom@ig.com.br