Goiânia, 07 de novembro de 2005.

SABE A GESTANTE SOBRE TESTE ANTI-HIV E TRANSMISSÃO VERTICAL?

Lucimeire Santos Carvalho

Andreá Abreu Dourado

Ana Carla Petersen

Cátia Andrade Silva

Kátia Mendes da Silva

A epidemia do HIV/AIDS é uma realidade mundial, estando as gestantes na cadeia de transmissão sexual e perinatal, ambas em contínua progressão. Estudiosos já apontam que a terceira maior freqüência já comprovada para infecção pelo HIV, depois da sexual e sanguínea, é a via perinatal. A via de contaminação transplacentária é muito freqüente, porém não é a única, pois pode ocorrer durante a cesárea devido a microtransfusões de sangue materno ou pela contaminação com secreções cervicais, amamentação dentre outras, sendo que na maioria dos casos está relacionada ao trabalho de parto. A detecção precoce dos casos de infecção pelo HIV por meio da testagem sorológica é um grande aliado para interromper essa cadeia. Assim, a pesquisa traz como objetivo analisar o conhecimento das gestantes sobre teste anti-HIV e transmissão vertical. Trata-se de estudo quantitativo desenvolvido no Centro de Testagem e Aconselhamento de Doenças Sexualmente Transmissíveis e AIDS, em Saldador-Ba no mês de maio/2005. A amostra da pesquisa foi composta de 23 gestantes com idade entre 17 a 32 anos que aguardavam a realização do teste anti-HIV. Os dados foram coletados por formulário aplicado após o consentimento livre e esclarecido às mulheres-Resolução 196/96. Nos resultados expressados graficamente verificou-se que 65,22% das gestantes não realizaram o teste anti-HIV na gestação anterior; 39,13% informou que a realização da testagem só foi oportuna pela solicitação sorológica do profissional de saúde, enquanto 34,78% foi orientada a realizar a testagem por orientação de amigos/colegas; entretanto 91,13% possuía conhecimento sobre o modo de transmissão da AIDS; 86,96% sabia que o vírus da AIDS pode ser transmitido para o bebê ainda na gestação; 86,96% também acertou em dizer que o leite materno oriundo de mulheres HIV positivo transmite o vírus da AIDS; 100% das entrevistadas reconhece que o sexo com utilização adequada da condóm previne a AIDS; todavia apenas 26,09% faz uso esporádico do condóm. Conclui-se que o comportamento da gestante é de risco para o contágio da AIDS, já que mesmo ciente das formas de transmissão/contágio não fazem uso do preservativo nas relações sexuais, apontando para reflexões sobre questões de gênero e saúde. Torna-se necessária uma maior discussão entre os profissionais de saúde sobre o comportamento de risco e contágio de AIDS/DST em mulheres e estratégias de educação à saúde.

Correspondência para: Kátia Mendes da Silva, e-mail: meirebom@ig.com.br