Goiânia, 07 de novembro de 2005.

GÊNERO E AS REAÇÕES HANSÊNICAS

Maria Beatriz de Sousa Miranda

Maria do Socorro Nantua Evangelista

Eliza Regina Mello

INTRODUÇÃO: A imunidade na hanseníase está ligada às moléculas do MHC da classe II (HLA-DR, HLA-DP e HLA-DQ), sendo que as células HLA-DQ1 respondem pelo adoecimento nas formas virchowiana e dimorfa (Britton & Lockwood, 2004). Os linfócitos T CD4+ potencializam o desenvolvimento da resposta do tipo Th1/Th2. Predominam na defesa do tipo Th1, as interleucinas(IL) 12 e 18, interferon-gama (IFN-?) e o fator de necrose tumoral (TNF-a), que caracteriza a imunidade celular e, lise do microrganismo intracelular. Na resposta Th-2, produz-se IL-4, IL-5, IL-6 e IL-10, fator de crescimento e transformação–ß (TGF-ß), ou a chamada imunidade humoral, resultando em adoecimento. Os homens em geral são mais susceptíveis à doença hansênica do que as mulheres (Soares et al, 2000). OBJETIVO: Estudar a relação de gênero e as reações hansênicas no Distrito Federal. METODOLOGIA: Foram estudados 245 casos novos de hanseníase, multibacilares, residentes no Distrito Federal, em quatro Centros de Referência de Hanseníase. Os casos pesquisados usaram esquema de tratamento de 12 ou 24 doses de PQT. Trata-se de um estudo de coorte retrospectivo. No banco de dados, usou-se o programa SPSS 11. 5 e EpiInfo 6. 0 e na análise estatística, o Teste Qui-Quadrado e Risco Relativo. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética da SES-DF (Parecer No 065/2003). RESULTADOS: Quando comparado à proporção dos doentes multibacilares de acordo com o grupo etário, o sexo não houve diferença significativa. O grupo etário de 20 a 29 anos apresentou maior freqüência da doença. Verificou-se também, maior proporção de homens na amostra pesquisada, embora no grupo 50 anos e mais tenha maior proporção de mulheres, com diferença significativa (p=0,029). A razão masculino/feminino da amostra foi de 2,1:1, enquanto no conjunto dos maiores de 50 anos, esta relação foi de 1,3:1. Durante o tratamento, as reações hansênicas foram mais registradas nas mulheres do que nos homens, sem diferença estatística. As proporções de homens e mulheres com reações pós-alta foram semelhantes. Verificou-se maior proporção das reações pós-alta do I e II na mulher em relação ao homem. CONCLUSÃO: A hanseníase mostrou-se mais freqüente no homem, embora no grupo maior de 50 anos, houve um aumento dos casos nas mulheres. As reações hansênicas pós-alta mostraram uma maior proporção nas mulheres. Discute-se a necessidade de estudar melhor se a alteração hormonal após a menopausa, pode estar implicada no aumento destas reações.

Correspondência para: Maria Beatriz de Sousa Miranda, e-mail: mbsmiranda@ibest.com.br