RISCO FÍSICOS E QUÍMICOS E AGRAVOS À SAÚDE DO TRABALHADOR
Marilia Alves
Helen de Lima
Embora nas duas últimas décadas tenha havido avanços científicos, técnicos e legais no setor formal da economia, na área de saúde do trabalhador, ainda se observa a ocorrência de problemas que afetam a saúde dos trabalhadores, acima do esperado pelos poderes constituídos e pela sociedade organizada. Atualmente, no Brasil, entre as políticas públicas implementadas está a orientação e o treinamento dos profissionais de saúde visando ao reconhecimento, a prevenção e ao controle dos fatores de risco a que estão expostos os trabalhadores do setor formal e informal da economia. No entanto, em decorrência da crise do emprego formal, é crescente o número de trabalhadores informais que têm trabalhado em condições e ambientes precários e insalubres. Apesar de tal constatação, são poucas as pesquisas voltadas para a realidade de trabalho desses profissionais. Assim, optou-se por realizar um estudo descritivo–exploratório com o objetivo de reconhecer os riscos físicos e químicos e os agravos à saúde a que estão expostos, no ambiente laboral de produção, os trabalhadores informais do setor de confecção de calçados do município de Goiânia, cadastrados na Secretaria de Desenvolvimento Econômico Municipal (SEDEM). A população estudada foi de 51 trabalhadores cadastrados na Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Município de Goiânia, que desenvolvem atividades laborais em 19 domicílios. A coleta de dados foi realizada por meio de um questionário com questões fechadas e observação do ambiente de trabalho. Os dados foram lançados no EPIINFO 6. 0, organizados em tabela, quadros e gráficos e analisados à luz do referencial teórico sobre a saúde do trabalhador e legislação brasileira em vigor. Os resultados mostram que a maioria dos entrevistados exerce atividades que envolvem riscos físicos e químicos, tem entre 18 e 27 anos, 1º grau incompleto e é do sexo masculino. A tendência verificada é de um trabalhador multifuncional e de 100% exercendo atividade com algum perigo de acidentar-se. O desemprego constitui o principal motivo de ingresso no mercado informal. A renda individual predominante para ambos os sexos é de 1 a 2 salários mínimos, com o agravante de que 98,04% (50) dos trabalhadores não contribuem para a previdência social, o que os torna excluídos dos direitos trabalhistas e previdenciários, como forma de proteção aos fatores de riscos físicos e químicos a que estão expostos. Os trabalhadores pesquisados possuem um conhecimento restrito ao senso comum acerca dos
Correspondência para: Helen de Lima, e-mail: helen-paixao@uol.com.br
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