Goiânia, 07 de novembro de 2005.

USUÁRIOS DE TRÊS SERVIÇOS PSIQUIÁTRICOS: PERFIL E OPINIÃO

Vera Lucia Mendiondo Osinaga

Antonia Regina Ferreira Furegato

Jair Licio Ferreira Santos

INTRODUÇÃO: Existem 500 milhões de pessoas no mundo que sofrem com algum tipo de distúrbio mental o que da origem a um índice de 40% de incapacidades para o trabalho e outras conseqüências para a pessoa, a família e a sociedade. Os objetivos deste estudo foram: caracterizar o portador de doença mental e seu acompanhante que procura atendimento em três serviços de atenção psiquiátrica: identificar a doença que motiva a busca de atendimento, seus diagnósticos e tratamentos; conhecer as expectativas sobre tratamento, cura e sobre o atendimento; e, conhecer a opinião dos usuários dos três serviços bem como de seus acompanhantes sobre doença mental e sobre a assistência psiquiátrica. METODOLOGIA: Fizeram parte deste estudo todos os portadores de distúrbio mental e seus acompanhantes que compareceram a três serviços de atenção psiquiátrica (Unidade de Emergência (UE), Núcleo de Atenção Psicossocial (NAPS) e Ambulatório Regional de Saúde mental (ARSM), durante o período de 6 meses. Os 750 usuários responderam o Questionário de Caracterização Clinico Social e a Escala de Medida de Opinião sobre conceitos e assistência psiquiátrica. RESULTADOS: Os 250 usuários (portadores e acompanhantes) de cada um dos três serviços de atenção psiquiátrica compuseram uma amostra de 750 sujeitos sendo maior concentração de mulheres tanto portadoras como cuidadoras. Grande parte dos portadores são em geral solteiros ou com uniões instáveis, tem baixo nível de escolaridade e estão fora do mercado de trabalho. Na UE, os sujeitos são mais jovens, em primeiros surtos e com poucas experiências de internação. No Ambulatório e no NAPS encontrou-se população mais cronificada, porém com características semelhantes de escolaridade, estado civil e ocupação. Nos três serviços, tanto portadores como acompanhantes são pouco informados sobre seus diagnósticos e seus tratamentos. Há predomínio de tratamentos medicamentosos, inclusive no NAPS. As expectativas de cura estão mais presentes entre os portadores em tratamento na UE do que nos outros serviços onde os sujeitos se conformam com a possibilidade de melhora. É alto o índice dos que adoeceram nos últimos 5 anos, porém, são baixos os índices de internação. Observou-se divergência de opinião entre os sujeitos, nos três serviços, especialmente em algumas questões como agressividade mais freqüente entre os usuários da Unidade de Emergência.

Correspondência para: Vera Lucia Mendiondo Osinaga, e-mail: wosinaga@terra.com.br