Goiânia, 07 de novembro de 2005.

UM NOVO OLHAR SOBRE A ENFERMAGEM: TRANSIÇÃO PARA UM NOVO PARADIGMA

Daniela Arruda Soares

Estamos observando o surgimento de um paradigma emergente do conhecimento científico, mesmo que por especulação (SANTOS, 1987). A enfermagem não se encontra imune nem a crise paradigmática, nem à transição para este novo paradigma, ao contrário, apresenta-se aberta a favor da emancipação. Tentamos sair da visão biologicista, tecnificante, reificadora, para valorizar a integralidade do ser. Os elementos acima mencionados denotam os sinais desta crise paradigmática. Por isso, o objetivo deste trabalho é estabelecer uma interface entre a Enfermagem e os elementos que a constituem, na perspectiva dos princípios que norteiam a compreensão dos paradigmas dominante e emergente, acreditando que os rumos que esta vem engendrando, se encaixam nesta nova visão paradigmática. Para tanto, fez-se necessário a realização de pesquisa bibliográfica na base de dados lilacs, Revistas de Enfermagem e outras produções científicas. Com a revolução científica do século XIX, vê-se um horizonte composto de lógicas, onde predomina o modo de fazer, a eficácia, a separação sujeito/objeto, a não consideração do senso comum e dos estudos humanísticos (SANTOS, 1987). Em consonância com o paradigma dominante, a Enfermagem enquanto profissão também foi constituída na última metade do século XIX por Nightingale, apresentando a necessidade de busca de cientificidade para alicerçar a profissão por meio do seguimento do modelo biomédico (NUNES, 1996), fundamentada em especial pela biologia e embasada nas técnicas. O conceito de saúde considerado para a Enfermagem seguiu o mecanicismo, fundamentando-se na cura/tratamento. O cuidado era direcionado a um paciente que não detinha autonomia, mas sim dependência aos profissionais e ao tratamento. Havia uma divergência entre ciência e arte, pois o argumento lógico e positivo só consideravam a ciência determinística e exata. Diante dos fatos necessitamos ir além das limitações impostas. Assim, o resgate da ética e estética tem ocorrido através de um cuidado integral, que valoriza a subjetividade do ser cuidado. No campo da saúde saímos da visão religiosa e biomédica para incorporar as teorias e marcos conceituais da Enfermagem. No campo da práxis,o cuidado apresenta-se como eixo norteador do conhecimento de Enfermagem empreendendo passos rumo a horizontes em que se anuncia o paradigma emergente. Este processo perpassa pela ética, estética, ciência e política, a fim de tornar a Enfermagem mais capaz de contribuir para uma vida mais humana, feliz e digna.

Correspondência para: Daniela Arruda Soares, e-mail: dandani23@yahoo.com.br