HISTÓRIA DE VIDA DE ADOLESCENTES GRÁVIDAS/MÃES EM 3 PSF EM PETRÓPOLIS
Leila Schmidt Bechtlufft
Elizabeth Tavares de Carvalho Cantaluppi
Rossana Rezende Rocha
Vanira da Silva Boquimpani Souza
INTRODUÇÃO:O censo de 2000 registra entre a população brasileira 35 milhões(20%) de adolescentes. Esta fase da vida caracteriza-se por transformações físicas e psicossociais. Em decorrência das mudanças ocorridas no comportamento dos adolescentes-principalmente com relação a sexualidade-alguns fatores de risco se acentuaram, entre eles a gravidez, exigindo então maior atenção dos profissionais de saúde. A gravidez na adolescência vem sendo focalizada como um problema de saúde pública e suas conseqüências estudadas sob várias perspectivas. A fertilidade no Brasil diminuiu cerca de 30% em todas as faixas etárias, exceto na adolescência. Em Petrópolis-RJ,25% dos partos realizados em 2000,foram em adolescentes. OBJETIVO: Analisar a história de vida de adolescentes grávidas ou mães, descrevendo: estrutura familiar, eventos marcantes que poderiam influenciar sua auto-imagem, perspectivas de vida e razões alegadas para a gravidez. METODOLOGIA: O estudo foi realizado com 34 adolescentes entre 15 e 19 anos que estavam grávidas ou já eram mães, no período entre junho e setembro de 2003, residentes nas comunidades São João Batista, Menino Jesus de Praga e Bairro Castrioto. Foram realizadas 34 entrevistas individuais, semi-estruturadas, permitindo à adolescente falar livremente sobre o assunto. A análise das entrevistas identificou padrões comuns de atitudes e valores entre as adolescentes-relacionamento com o pai, incentivo e interesse pela vida escolar, motivos que levaram a gravidez, perspectivas frente a gravidez, que foram aprofundados em grupos focais realizados em cada comunidade. RESULTADOS: Todas as entrevistadas relatam conhecer métodos anticoncepcionais e algumas os utilizavam, mas de maneira irregular. A maioria relata perdas significativas na infância e muitas revelam problemas relacionados à estrutura familiar, destacando-se a ausência ou o relacionamento conturbado com o pai, alcoolismo e agressividade. A maioria admitiu desejar engravidar. Do seu ponto de vista, a maternidade as torma mais responsáveis, permite uma ascensão para outro status-de adolescente para mulher e uma possível obtenção de autonomia pessoal. Quase todas se revelaram satisfeitas com a maternidade. CONCLUSÕES:Neste grupo, a gravidez não ocorreu por acaso,não havendo um único fator desencadeante. CONSIDERAÇÕES FINAIS: Investigações sobre as condições de vida e da comunidade onde as adolescentes estão inseridas,devem ser feitas para fornecerem estratégias que estimulem a busca de melhores oportunidades de vida.
Correspondência para: Leila Schmidt Bechtlufft, e-mail: leilasb@terra.com.br
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