Goiânia, 07 de novembro de 2005.

REPRESENTAÇÕES SOCIAIS DAS ENFERMEIRAS SOBRE O TRABALHO EM EQUIPE

Cassia Barbosa Reis

Sonia Maria Oliveira Andrade

A Lei Orgânica de Saúde apresenta o princípio da integralidade em duas dimensões, a da articulação entre serviços e a das práticas profissionais. O sistema de saúde no Brasil está organizado de forma que a rede básica seja a porta de entrada e, portanto, lócus essencial para observação de todas as dimensões da integralidade. A enfermeira é, em geral, o primeiro contato da mulher com o serviço de saúde e trabalha com a mulheres em todas as fases da vida. Na assistência à saúde da mulher, por mais que existem diversas ações propostas, a realidade observada é de um atendimento fragmentado. Uma das principais causas dessa fragmentação está na dificuldade encontrada pelos profissionais de trabalhar em equipe. Neste sentido, o objetivo desta pesquisa é conhecer as representações sociais das enfermeiras sobre a forma de trabalho e a equipe na assistência à saúde prestada à mulher na rede básica de saúde. Foi utilizada metodologia qualitativa que visa a pesquisa em profundidade. Para tanto, foram entrevistadas dez enfermeiras da micro região de Naviraí-MS, inseridas nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e Unidades de Saúde da Família (USF) de cinco municípios, sendo que em cada município foram entrevistadas duas enfermeiras, uma da UBS e outra da USF. Para a coleta de dados foi utilizado um roteiro para entrevista semi-estruturada, e gravação das entrevistas com consentimento assinado pelas entrevistadas. Os dados foram analisados considerando-se o Discurso do Sujeito Colectivo (DSC), proposto por Lefèvre e Lefèvre (2003), que tem a Teoria das Representações Sociais (Moscovici, 1961) como marco teórico. Foram utilizadas três figuras metodológicas: expressões-chave (E-Ch), idéias centrais (IC) e DSC. Os instrumentos de análise de discurso foram utilizados em duas etapas para a construção do DSC, conforme a metodologia proposta. Para a descrição dos resultados foi redigido o DSC, na primeira pessoa do singular, representando a síntese de todas as IC relativas ao sentido de equipe. A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos da UFMS. Conclui-se que a enfermeira tem uma visão fragmentada da assistência à saúde da mulher, diz que trabalha em equipe mas percebe que os profissionais não têm o mesmo objetivo, atuando individualmente. O despreparo dos profissionais e gestores para o trabalho em equipe, a necessidade de humanização com “resgate das relações” (Mattos, 2001), a disputa interna de poder com a indefinição de espaços de atuação dos profissionais e com a pequena ou mesmo a falta de interação entre os mesmos evidencia a desarticulação existente e a dificuldade de efetivar a equipe como forma de trabalho proposta pelo Ministério da Saúde.

Correspondência para: Cassia Barbosa Reis, e-mail:

cassia@uems.br