Goiânia, 07 de novembro de 2005.

O GÊNERO, PRÁTICAS DE ENFERMAGEM E INTERFACES DAS RELAÇÕES CURRICULARES

Gilberto Souto Caramão

Paulo Fábio Pereira

Roque Ismael da Costa Güllich

Jane Lílian Ribeiro Brum

O trabalho volta-se ao olhar do contexto plural tecido por sujeitos políticos, sociais e históricos no que tange o exercício da enfermagem e a questão do gênero na profissão. A pesquisa tem como eixos basilares à abordagem qualitativa, do tipo bibliográfica e documental, abordando as questões de gênero como ferramenta política e analítica, parte de um constructo histórico e social da profissão, buscando a compreensão da gênese da constituição formadora do exercício da enfermagem, a partir de uma reflexão teórica sobre os fatores arraigados ao passado e que nos permitem a compreensão/reflexão de quem somos e o que fazemos como enfermeir@s. A análise dá-se principalmente a partir da genealogia de Foucault, bem como pesquisador@s da área de gênero e enfermagem, objetivando-se ainda verificar neste estudo, o movimento discursivo da micropolítica do gênero na profissão. Ao resgate histórico da enfermagem optou-se principalmente por Giovanini et. al. , (2002), que traz a cronologia dos acontecimentos. Observa-se nos trabalhos de Horta (2004), conteúdo de fundamental relevância na busca de uma enfermagem “livre”, pois esta procura balizar o caminho à implantação do processo de enfermagem, que pode ser encarado como ferramenta a corporificação de uma enfermagem mais científica e contemporânea, proporcionando autonomia profissional, buscando aliar a prática à metodologia científica a partir da implantação sistemática do processo de enfermagem. Verificou-se nos trabalhos de Germano (1999) apud Silva (1998, p. 51), que “a enfermagem domina uma ética alienada e utilitarista; há contradição, entre uma ética que impõe sofrimento e alivio”. Ainda Silva (1998), constata que os bancos acadêmicos de enfermagem são centros de docilização para os estudantes. Estas constatações levam a necessidade de considerar as faces da educação conforme Demo (2000) “porque reconhece que um dos fatores mais substanciais da educação é suplantar a ignorância do excluído” (p. 15). Com isso, verifica-se a necessidade que exige a análise dos diversos aspectos da profissão e a necessidade da análise dos diversos aspectos da profissão, conforme Lima (1994), para que seja possível conceitualmente se visualizar, criticar, e discutir as implicações políticas que afetam a profissão, devendo, obrigatoriamente para isso, haver maior espaço à reflexão, por parte de quem forma enfermeir@s.


Correspondência para: Gilberto Souto Caramão, e-mail: gilberto@setrem.com.br