ADOLESCÊNCIA X DROGAS: A PERCEPÇÃO DA FAMÍLIA FRENTE AO ADOLESCENTE
Maria Auxiliadora Rodrigues Almeida
Alessandra Santanna Nunes
A motivação para o desenvolvimento deste estudo emergiu de minha experiência como acadêmica de Enfermagem inserida nos estágios de saúde coletiva, em que me deparei com o Núcleo de Estudos da Saúde do Adolescente (NESA), e pude articular não só questionamentos, mas também evidenciar um número significativo de famílias com enorme ansiedade, no que se refere ao uso das drogas, crescimento dos filhos, e a chegada da tão temida adolescência. A relevância deste estudo está em buscar a compreensão do Enfermeiro e das famílias frente ao adolescente usuário de drogas, e a importância que os mesmos possuem na recuperação do comportamento destes indivíduos. Trata-se de um estudo descritivo com abordagem qualitativa, desenvolvido junto as famílias dos adolescentes usuários de drogas, tendo como objetivos caracterizar a família do adolescente usuário de drogas, identificar a percepção da família e as mudanças que ocorrem na estrutura da família, após o uso de drogas pelo adolescente. A população alvo escolhida aleatoriamente foi composta por 08 famílias participantes ativas no acompanhamento dos adolescentes usuários de drogas inscritos no programa do (CEPRAL) Centro de Estudos Prevenção Reabilitação do Alcoolismo e Drogas, localizado no Hospital Escola São Francisco de Assis da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Para produção dos dados foi utilizado como instrumento de coleta de dados um roteiro semi-estruturado. Através do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, os sujeitos autorizaram a transcrição de suas falas, possibilitando desta forma, a obtenção dos dados para o desenvolvimento da pesquisa, após sua aplicação, possibilitou a análise e a discussão, realizada a partir de agrupamento de dados e codificação em categorias. Os resultados obtidos, relacionados à caracterização da família do adolescente usuário de drogas apontam, uma associação da desagregação familiar, enfatizada pelo desamparo dos pais e também um nível de escolaridade baixo. Destacaram-se três categorias através da análise de conteúdo: A descoberta do uso de drogas pela família, A estrutura familiar do adolescente usuário de drogas e os efeitos dos grupos de convivência na família do adolescente usuário de drogas. Concluiu-se o estudo entendendo que as ações realizadas pelo enfermeiro, junto à família e os adolescentes usuários de drogas, contribuem de forma facilitadora para o bom desenvolvimento do tratamento de ambos.
Correspondência para: Maria Auxiliadora Rodrigues Almeida, e-mail: doragarcia@ig.com.br
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