FATORES E SINTOMAS DE ESTRESSE DE ENFERMAGEM E ENFRENTAMENTO
Waldene Machado
Cibele Alves Chapadeiro de Castro Sales
A síndrome de stress é caracterizada por um conjunto de reações que o organismo desenvolve ao ser submetido a uma situação que dele exija um esforço de adaptação. A literatura tem mostrado que o hospital é um local onde a ocorrência de stress ocupacional é muito grande. Este estudo teve por objetivo descrever as condições de trabalho e pessoais de profissionais da enfermagem que trabalhavam nos setores de Clínica Médica e Cirúrgica do Hospital Escola – UFTM, em Uberaba-MG, a fim de verificar a ocorrência de fatores estressantes, sintomas de stress e estratégias para lidar com os estressores. Foi realizado um estudo de levantamento, onde se utilizou um questionário, auto-administrado, com 26 enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem, dos três turnos. Treze homens e 13 mulheres, de 20 a 50 anos, a maioria solteiros (14) e com religião (17). Os dados que indicaram serem fatores de stress foram os que se seguem: os sujeitos tinham que trabalhar muito e rápido (15), com risco ocasional ou freqüente para saúde e segurança (21) e assumiam muita responsabilidade (24). Quanto às relações no trabalho, 12 sujeitos referiram terem sido assediados sexualmente no trabalho, sendo sete homens. A maior parte (17) referiu que tinha que provar sua capacidade no trabalho, e poucos se sentiam valorizados pela instituição (12). Sentiam-se pouco desafiados (15) e sem reconhecimento do chefe (12). Alguns pacientes foram considerados mais difíceis (24). Quanto à vida pessoal, 16 profissionais estão insatisfeitos com o tempo que passam com os seus familiares. No mês que antecedeu à pesquisa, profissionais de enfermagem relataram sintomas de stress: tensão (20), tristeza (20), problemas para dormir (11), problemas estomacais (12), cefaléia (8), tensão muscular (9), falha de memória (10), entre outros sintomas (8). As estratégias para enfrentar as situações relatadas foram: comer mais (6) ou melhor (4), fazer exercício físico (6), uso de bebida alcoólica (1), fazer relaxamento (3), passear (14), ouvir música (10), tomar remédio (2), dormir (2), dançar (1), atividade sexual (1), pescar (1) e trabalhar na fazenda (1). Discute-se que as fontes de stress do trabalho são várias e importantes, e que podem ter conseqüência na vida pessoal, mas que também o stress da vida pessoal influencia a atividade profissional, especialmente se não houverem estratégias de enfrentamento adequadas.
Correspondência para: Waldene Machado, e-mail: waldenemachado@yahoo.com.br
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