Goiânia, 07 de novembro de 2005.

ANALGESIA NA CONDUÇÃO DO PARTO NORMAL: VISÃO DO ENFERMEIRO OBSTETRA

Taciana Cavalcante de Oliveira

Simone Cristina Lima

Lélia Maria Madeira

A dor da parturiente durante o trabalho de parto deve ser valorizada pelo profissional que está conduzindo o processo, considerando toda a subjetividade própria da mesma. É nesse momento que o enfermeiro obstetra deverá fazer uma análise crítica a respeito do momento vivenciado pela mulher e oferecer-lhe todas as medidas possíveis de alívio da dor. Objetivamos conhecer a percepção do enfermeiro obstetra do Hospital Sofia Feldman (HSF) quanto à utilização da analgesia na condução do trabalho de parto normal e identificar fatores facilitadores e impeditivos para a indicação do procedimento, pelo enfermeiro. Estudo descritivo-exploratório, dentro da abordagem qualitativa em pesquisa, desenvolvido no período de janeiro de 2004, junto a 13 enfermeiros. Após a coleta de dados, realizada por meio de uma entrevista semi-estruturada, passamos a transcrever o material narrativo, organizando-o nas seguintes categorias: a experiência do enfermeiro obstetra em relação à utilização da analgesia no parto normal; fatores facilitadores para a indicação da analgesia; fatores que dificultam a indicação da analgesia e analgesia como estratégia de humanização do parto. A partir dos discursos, podemos revelar que houve uma evolução na maneira de pensar e agir do enfermeiro obstetra, no que se refere à utilização da analgesia na condução do trabalho de parto normal. Antes da implantação do procedimento na instituição, os enfermeiros tinham um conhecimento restrito ou até mesmo apresentavam uma certa resistência, principalmente os adeptos do parto natural. A disponibilidade do procedimento no HSF, a partir de 2001, permitiu um maior contato e conhecimento técnico-científico do enfermeiro obstetra. No que se refere aos fatores facilitadores para a indicação da analgesia, os entrevistados evidenciaram o trabalho em equipe, filosofia da instituição, autonomia do enfermeiro obstetra, intercâmbio de experiências, disponibilidade do anestesista e oferta da analgesia pelo Sistema Único de Saúde. Os fatores contemplados como dificultadores foram: ausência de protocolo, conduta heterogênea dos profissionais, demanda e uso restrito da analgesia peridural contínua. Elucidaram, também, a analgesia como estratégia de humanização do trabalho de parto normal. Acreditamos, que a realização do presente estudo, contribuiu de forma significativa para um olhar mais reflexivo a respeito da nossa prática obstétrica, enriquecendo-a e tornado possível discussões para uma assistência mais humanizada.

Correspondência para: Taciana Cavalcante de Oliveira, e-mail: tacianna@yahoo.com