Goiânia, 07 de novembro de 2005.

AVALIAÇÃO DA DOR: MITOS E REALIDADES

Bruna Augusta Oliveira Pagliaro

Érika Zambrano

Fátima Aparecida Emm Faleiros Sousa

Inaiara Scalçone Almeida Corbi

Luciana Santana Ribeiro

Paula Batista Luize

Priscilla Hortense

Simone Saltareli

A dor é muito mais do que uma sensação singular causada por estímulos específicos. Para que a dor seja adequadamente tratada é necessário que seja adequadamente avaliada e mensurada. Isso pode ajudar impedir que o controle da dor seja embasado nos pressupostos e experiências pessoais dos profissionais. Crenças e mitos dos profissionais de enfermagem interferem no processo de avaliação da dor. O objetivo deste trabalho foi mensurar as atitudes da equipe de enfermagem quanto aos mitos relacionados com a dor. Participaram do estudo alguns membros da equipe de enfermagem de um hospital do interior paulista, sendo 38 enfermeiros (Grupo E) e 64 auxiliares e técnicos de enfermagem (Grupo AT). O instrumento utilizado foi desenvolvido a partir de um estudo que pontuou os mitos relacionados com a dor. Cada mito transformou-se em uma afirmativa que recebeu uma escala de pontuação que variou de 0 a 10 que foi assinalada pelos participantes de acordo com seu grau de concordância. Para cada item do instrumento foram calculados a Média Aritmética (MA) e o Desvio Padrão da Média Aritmética (DP), as respostas dos participantes de ambos os grupos (Grupo E e Grupo AT) foram comparadas entre si e para comparar os dois grupos foi aplicado o teste não-paramétrico de Mann-Whitney. Os resultados mostraram que para os mitos 1, 2, 5, 6, 7, 8, 9 e 10 não houve diferenças estatisticamente significantes, ou seja, o Grupo AT e o Grupo E no que se refere a estes mitos mostraram-se equivalentes no entender de cada mito. No entanto, houve diferenças estatisticamente significantes para os mitos 3 e 4, com p = 0,000, mostrando que os dois grupos entendem de forma diferente estes mitos. Observamos níveis elevados de concordância com os mitos, significando equívocos com relação ao entendimento da sensação dolorosa e possivelmente na avaliação da dor. Destacamos que, apesar das diferenças quanto à formação profissional, os resultados obtidos não diferem estatisticamente. Os profissionais de saúde têm uma responsabilidade ética e profissional, bem como o dever de oferecer efetivo alívio da dor e paliação para os sintomas dos pacientes quando necessário. Antes de ser um problema de ordem técnica, a dor e o sofrimento situam-se na esfera ética e devem ser considerados na suas várias interfaces.

Correspondência para: Bruna Augusta Oliveira Pagliaro, e-mail: brunapagliaro@hotmail.com