CARDIOPATIA CHAGÁSICA CRÔNICA EM IDOSOS AUTOPSIADOS COM MEGA
Fernanda Mazão
Marlene Antônia dos Reis
Ruy de Souza Lino Junior
Vicente de Paula Antunes Teixeira
Flávia Aparecida de Oliveira
IINTRODUÇÃO: com o envelhecimento populacional no Brasil, acentuado a partir da década de 60, está ocorrendo também o envelhecimento dos portadores de doença de Chagas. No entanto, foram encontrados poucos estudos anátomo-patológicos nesses indivíduos, logo torna-se necessário avaliar o comportamento da doença no idoso. OBJETIVO: comparar a idade, o peso cardíaco, a fibrose intersticial, a densidade de infiltrado mononuclear e a espessura dos miocardiócitos em idosos portadores de cardiopatia chagásica crônica (idosos CC) com ou sem megas e ou insuficiência cardíaca congestiva (ICC). MATERIAL E MÉTODOS: foram selecionados 20 idosos CC com idade maior ou igual 60 anos com as alterações morfológicas da cardiopatia e a sorologia positiva para a doença de Chagas. Os dados: idade, peso cardíaco, megas e ICC, considerada pelo fígado cardíaco, foram obtidos nos laudos de autópsias. A espessura dos miocardiócitos e a densidade de infiltrado mononuclear foram quantificadas em fragmento de ventrículo esquerdo, usando HE e o programa “AxioVision 3. 1 Carl-Zeiss”. A fibrose intersticial foi quantificada automaticamente usando picrosírius sob luz polarizada e o “Programa KS 300 Carl-Zeiss”. RESULTADOS: a ICC e os megas foram verificados em 25% (5) dos casos, respectivamente e a concomitância das lesões em 5% (1) dos casos sem associação estatística significativa (p>0,05). A idade e o peso cardíaco foram maiores nos idosos CC com ICC e megas que nos sem ICC e megas (69 vs 66 anos e 480 vs 373,3g, respectivamente p>0,05). A fibrose intersticial foi significativamente menor nos idosos CC com ICC e megas (0,15%) que nos sem ICC e megas (1,61%) (p<0,05). A densidade de infiltrado inflamatório mononuclear foi menor nos idosos CC com ICC e megas (27,7/mm2) que nos sem ICC e megas (43,5/mm2) (p>0,05). A espessura dos miocardiócitos foi significativamente maior nos idosos CC com ICC e megas (22,1um) que nos sem ICC e megas (16,5um) (p<0,05). Nos idosos CC com megas sem ICC quando comparados aos sem ICC e sem megas, a associação dos megas não contribuiu para a atenuação do aumento do peso cardíaco, do infiltrado inflamatório e da fibrose, diferente do descrito na literatura em indivíduos não-idosos. CONCLUSÃO: no caso em que houve associação de mega e ICC as lesões miocárdicas foram menos intensas. Logo, no idoso talvez a relativa preservação miocárdica ocorra quando há evolução para insuficiência do coração. Apoio Financeiro: CNPq, CAPES, FAPEMIG, FUNEPU e IPTSP.
Correspondência para: Fernanda Mazão, e-mail: fermazao@hotmail.com |