Goiânia, 07 de novembro de 2005.

CARDIOPATIA CHAGÁSICA CRÔNICA EM IDOSOS AUTOPSIADOS COM MEGA

Fernanda Mazão

Marlene Antônia dos Reis

Ruy de Souza Lino Junior

Vicente de Paula Antunes Teixeira

Flávia Aparecida de Oliveira

IINTRODUÇÃO: com o envelhecimento populacional no Brasil, acentuado a partir da década de 60, está ocorrendo também o envelhecimento dos portadores de doença de Chagas. No entanto, foram encontrados poucos estudos anátomo-patológicos nesses indivíduos, logo torna-se necessário avaliar o comportamento da doença no idoso. OBJETIVO: comparar a idade, o peso cardíaco, a fibrose intersticial, a densidade de infiltrado mononuclear e a espessura dos miocardiócitos em idosos portadores de cardiopatia chagásica crônica (idosos CC) com ou sem megas e ou insuficiência cardíaca congestiva (ICC). MATERIAL E MÉTODOS: foram selecionados 20 idosos CC com idade maior ou igual 60 anos com as alterações morfológicas da cardiopatia e a sorologia positiva para a doença de Chagas. Os dados: idade, peso cardíaco, megas e ICC, considerada pelo fígado cardíaco, foram obtidos nos laudos de autópsias. A espessura dos miocardiócitos e a densidade de infiltrado mononuclear foram quantificadas em fragmento de ventrículo esquerdo, usando HE e o programa “AxioVision 3. 1 Carl-Zeiss”. A fibrose intersticial foi quantificada automaticamente usando picrosírius sob luz polarizada e o “Programa KS 300 Carl-Zeiss”. RESULTADOS: a ICC e os megas foram verificados em 25% (5) dos casos, respectivamente e a concomitância das lesões em 5% (1) dos casos sem associação estatística significativa (p>0,05). A idade e o peso cardíaco foram maiores nos idosos CC com ICC e megas que nos sem ICC e megas (69 vs 66 anos e 480 vs 373,3g, respectivamente p>0,05). A fibrose intersticial foi significativamente menor nos idosos CC com ICC e megas (0,15%) que nos sem ICC e megas (1,61%) (p<0,05). A densidade de infiltrado inflamatório mononuclear foi menor nos idosos CC com ICC e megas (27,7/mm2) que nos sem ICC e megas (43,5/mm2) (p>0,05). A espessura dos miocardiócitos foi significativamente maior nos idosos CC com ICC e megas (22,1um) que nos sem ICC e megas (16,5um) (p<0,05). Nos idosos CC com megas sem ICC quando comparados aos sem ICC e sem megas, a associação dos megas não contribuiu para a atenuação do aumento do peso cardíaco, do infiltrado inflamatório e da fibrose, diferente do descrito na literatura em indivíduos não-idosos. CONCLUSÃO: no caso em que houve associação de mega e ICC as lesões miocárdicas foram menos intensas. Logo, no idoso talvez a relativa preservação miocárdica ocorra quando há evolução para insuficiência do coração. Apoio Financeiro: CNPq, CAPES, FAPEMIG, FUNEPU e IPTSP.

Correspondência para: Fernanda Mazão, e-mail: fermazao@hotmail.com