DESVELANDO SENTIMENTOS DE MÃES DE CRIANÇAS SOROPOSITIVAS
Rejane Marie Barbosa Davim
Richardson Augusto Rosendo da Silva
Gilson de Vasconcelos Torres
Vera Maria da Rocha
Susana Maria Miranda Dantas
INTRODUÇÃO: Apesar do desenvolvimento de novas terapias e do esforço mundial na busca de vacina contra a infecção pelo HIV, as possibilidades de controle da doença ainda parecem remotas. Se, no início, apontava para a existência de grupos de risco homossexuais e bissexuais masculinos, usuários de drogas e receptores de sangue contaminado, atualmente há uma tendência crescente na transmissão heterossexual, ascendendo a frequência em mulheres infectadas. Sendo estas as mais susceptíveis às DST, a incidência do risco de transmissão pelo HIV é preocupante e requer atenção especial, principalmente na gestação por implicar também no bem-estar do feto, na estrutura e nos sentimentos da família, criando grande estigma social, problemas socioeconômicos, físicos e psicológicos oriundos da doença. A família que se propõe tratar de um filho soropositivo enfrenta problemas adversos e muitas dificuldades. Atualmente os dados epidemiológicos mostram que 85% dos casos de AIDS em menores de 13 anos no Brasil, têm como modalidade de transmissão pelo HIV, a vertical, a qual vem se tornando grande desafio na saúde pública. OBJETIVO: Identificar sentimentos de mães portadoras de HIV vivenciando o filho soropositivo. METODOLOGIA: Estudo descritivo desenvolvido em um hospital público de referência para doenças infecto-contagiosas, em Natal/RN. RESULTADOS: A faixa etária das entrevistadas variou entre 20 e 36 anos; a escolaridade a maioria foi o 1º grau incompleto (54,5%); a renda familiar prevaleceu 01 SM (82%) e a forma de transmissão a sexual (63,3%). Identificamos que, o fato dessas mulheres terem um filho soropositivo, gerou sentimentos positivos e negativos. Os positivos foram: felicidade, amor, doação, realização e coragem. Como negativos tivemos: culpa, tristeza, isolamento e prisão. Apesar das dificuldades e realidade de um filho soropositivo vivenciada pelas entrevistadas, o estudo demonstrou que os sentimentos positivos emergentes superaram os negativos, inferindo-se que o desejo de serem mães e de cuidarem de filhos soropositivos é o mais importante. Cabe aos profissionais de saúde atuantes com portadores de HIV, dismistificarem a doença, apoiá-los e tratá-los holisticamente, reduzindo os sentimentos negativos, através da promoção de uma melhor qualidade de vida dessa população. CONCLUSÕES: As histórias narradas pelas mães levaram-nos a compreender que a condição de serem soropositivas não parece ser a maior preocupação dessas mães, mas o cuidado com a saúde do filho.
Correspondência para: Rejane Marie Barbosa Davim, e-mail: rejanemb@uol.com.br |