Goiânia, 07 de novembro de 2005.

DESVELANDO SENTIMENTOS DE MÃES DE CRIANÇAS SOROPOSITIVAS

Rejane Marie Barbosa Davim

Richardson Augusto Rosendo da Silva

Gilson de Vasconcelos Torres

Vera Maria da Rocha

Susana Maria Miranda Dantas

INTRODUÇÃO: Apesar do desenvolvimento de novas terapias e do esforço mundial na busca de vacina contra a infecção pelo HIV, as possibilidades de controle da doença ainda parecem remotas. Se, no início, apontava para a existência de grupos de risco homossexuais e bissexuais masculinos, usuários de drogas e receptores de sangue contaminado, atualmente há uma tendência crescente na transmissão heterossexual, ascendendo a frequência em mulheres infectadas. Sendo estas as mais susceptíveis às DST, a incidência do risco de transmissão pelo HIV é preocupante e requer atenção especial, principalmente na gestação por implicar também no bem-estar do feto, na estrutura e nos sentimentos da família, criando grande estigma social, problemas socioeconômicos, físicos e psicológicos oriundos da doença. A família que se propõe tratar de um filho soropositivo enfrenta problemas adversos e muitas dificuldades. Atualmente os dados epidemiológicos mostram que 85% dos casos de AIDS em menores de 13 anos no Brasil, têm como modalidade de transmissão pelo HIV, a vertical, a qual vem se tornando grande desafio na saúde pública. OBJETIVO: Identificar sentimentos de mães portadoras de HIV vivenciando o filho soropositivo. METODOLOGIA: Estudo descritivo desenvolvido em um hospital público de referência para doenças infecto-contagiosas, em Natal/RN. RESULTADOS: A faixa etária das entrevistadas variou entre 20 e 36 anos; a escolaridade a maioria foi o 1º grau incompleto (54,5%); a renda familiar prevaleceu 01 SM (82%) e a forma de transmissão a sexual (63,3%). Identificamos que, o fato dessas mulheres terem um filho soropositivo, gerou sentimentos positivos e negativos. Os positivos foram: felicidade, amor, doação, realização e coragem. Como negativos tivemos: culpa, tristeza, isolamento e prisão. Apesar das dificuldades e realidade de um filho soropositivo vivenciada pelas entrevistadas, o estudo demonstrou que os sentimentos positivos emergentes superaram os negativos, inferindo-se que o desejo de serem mães e de cuidarem de filhos soropositivos é o mais importante. Cabe aos profissionais de saúde atuantes com portadores de HIV, dismistificarem a doença, apoiá-los e tratá-los holisticamente, reduzindo os sentimentos negativos, através da promoção de uma melhor qualidade de vida dessa população. CONCLUSÕES: As histórias narradas pelas mães levaram-nos a compreender que a condição de serem soropositivas não parece ser a maior preocupação dessas mães, mas o cuidado com a saúde do filho.

Correspondência para: Rejane Marie Barbosa Davim, e-mail: rejanemb@uol.com.br