Goiânia, 07 de novembro de 2005.

A CONCEPÇÃO DE DOENÇA DOS DIABÉTICOS DO BAIRRO GUAJUVIRAS

Nilton Vieira do Amaral

INTRODUÇÃO: Os estudos sobre o tema "doença" vem demonstrando como entendimento do "leigo", difere da concepção dos profissionais de saúde. A necessidade do conhecimento das diferenças existentes entre os variados segmentos sociais sobre as suas representaçãoes a respeito da saúde/doença mostra-se mais evidente no caso da AIDS, em que tal entendimento é básico para que sejam traçadas políticas de ação preventiva realmente eficazes. No caso do Diabetes cada vez mais temos diagnósticos e tratamentos mas ainda não conseguiu-se ações efetivas na diminuição dos diabéticos e das complicaçãoes advindas do não controle do mesmo. Sabe-se que quando o diabetes, entre na vida da pessoa, seu mundo subitamente modifica, incluindo desde novos e especiais conceitos, considerações e desafios. Se é difícil executar mudanças de hábitos de vida é ainda mais penoso ajustar-se emocionalmente. Na busca por ações que possibilitem a efetiva adesão do diabético ao tratamento, entender esses conceitos, considerações e desafios, é uma necessidade do profissional de saúde para ajudar o diabético a construir formas de melhor adequação ao seu estilo de vida. Neste sentido perguntou-se a 60 diabéticos atendidos na consulta de enfermagem na unidade básica de saúde Guajuviras da cidade de Canoas/RS, as seguintes questões: Qual o seu conceito de doença e como você se considera, baseado no seu conceito. OBJETIVOS: Conhecer o conceito de doença dos diabéticos e como eles consideram-se perante esse conceito. METODOLOGIA: Pesquisa exploratória, descritiva com uma abordagem quantitativa. RESULTADOS: Conceituações de doença 1) Coisa ruim, perigosa, dor, stress, desequilíbrio, coisa que ninguém quer, que prejudica, problema que ninguém pediu - 50% dos diabéticos. 2) O corpo não obedece, não poder fazer nada, limitações nas atividades, não poder trabalhar, velhice - 30%. 3) Falta de atividades, falta de ocupação - 10%. 4) Depende da doença - 10%. Consideram-se doentes 40% dos diabéticos e 60% não. CONCLUSÕES: Durante muito tempo trabalhou-se os aspectos curativos da doença em detrimento da prevenção. Este legado nos faz pensar que quem procura um serviço de saúde tem que apresentar algum problema. É preocupantes estes dados pois mostram que as pessoas só procurarão os serviços de saúde se apresentarem sinais/sintomas de uma doença. Portanto, é urgente que os profissionais de saúde mudem seus conceitos, respeitando, entendendo e aprendendo com os de seus clientes.

Correspondência para: Nilton Vieira do Amaral, e-mail: niltonvamaral@brturbo.com.br