HUMANIZAÇÃO DO PARTO: A COMUNICAÇÃO NO CUIDAR DE PARTURIENTES
Fatima de Lima Franco
Elisabeth Hoffmann Sanchez
Este trabalho coloca que todo relacionamento é comunicação, e comunicar é por em comum, é diálogo. E os seres humanos interagem através da fala e do corpo com o mundo que os cerca, influenciando e sendo influenciados. Parturientes hospitalizadas estão sensibilizadas. A experiência de dependência é descrita por elas como desagradável, constrangedora e lhes tolhendo a liberdade. Talvez justamente por isso, estão muito atentas aos menores sinais dos cuidadores. Há toda uma expectativa de receber esse cuidado, essa atenção da qual estão tão necessitados. E, a intimidade e neutralidade nos relacionamentos, aumentam ainda mais o bem estar de ambos. Há a comunicação terapêutica que mostra como tornar o atendimento de puérperas, humano. Fazendo-as sentirem-se especiais, valorizadas em sua individualidade, em um momento tão especial quanto o de trazer uma vida ao mundo. Essa é a comunicação que resulta em entendimento recíproco, bem estar mútuo e em uma assistência de melhor qualidade à mulher em seu processo parturitivo. Percebe-se claramente a interação nesse relacionamento, nesse encontro: no momento oportuno a enfermeira intervem, e há uma influência do comportamento de uma no da outra e um sincronismo na comunicação. E há a comunicação não-terapêutica, quando as parturientes são tratadas como objetos: sem qualquer consideração por seus sentimentos, sem qualquer respeito por seus corpos. Pois, sabemos do espaço físico tido por nós como extensão do nosso próprio corpo, pertencendo a nossa intimidade e que foi invadido sem que houvesse qualquer pedido para tal. E que mesmo entre os profissionais a marca pode ser de exercício das relações de poder. E mesmo entre os profissionais a marca pode ser a de exercício das relações de poder. A comunicação é útil a expressão de sentimentos, emoções, para compartilhar idéias. Entretanto, também pode ser utilizada como instrumento de poder e opressão tanto moral quanto psicológica. O saber é disciplinador e normatizador. O poder se constitui através de um conjunto de práticas. Os profissionais de saúde têm seu conhecimento edificado na relação entre o saber e o poder. Pois, saber gera poder, e vice-versa. A parturiente é submetida ao seu papel de mulher não apenas na relação equipe profissional-paciente, mas também na imposta pela sociedade. Especialmente as de classe econômico-cultural inferior. São colocadas numa posição de passividade e TEMOR.
Correspondência para: Fatima de Lima Franco-Porto, e-mail: ff_porto@yahoo.com.br |