Goiânia, 07 de novembro de 2005.

ALCOOLISMO NAS ENFERMARIAS DO HOSPITAL ESCOLA DA UFTM

Marina Aleixo Diniz

Érika Ferreira Matos

Paula Miranda Ferreira

Cibele Alves Chapadeiro de Castro Sales

O uso abusivo do álcool é responsável por 90% das internações hospitalares por dependência, tendo uma prevalência de 10% na população brasileira. Identificar usuário de álcool é importante para se propor intervenções eficazes. O trabalho teve como objetivos: identificar e avaliar pacientes com uso abusivo do álcool internados no HE, caracterizar o consumo e circunstâncias relacionadas, verificar conseqüências físicas e sociais do uso do álcool, motivação para parar de beber e a forma de enfrentamento dos problemas. 26 pacientes internados na Clínica médica, de 27 a 58 anos, a maioria (84,6%) homens, foram entrevistados. Cirrose, pancreatite e dores abdominais eram as doenças mais freqüentes. Eles começaram a ingestão de álcool na infância ou adolescência, e a motivação para beber atualmente era tanto a tristeza como alegria. O hábito de beber era solitário ou com companhia, em casa ou em bares, e pinga e cerveja eram as mais ingeridas. 53,8% foram avaliados como dependentes pelo Audit e 11,5% com consumo nocivo. 80,8% já tentaram parar de beber. 19,2% não trabalhavam, e apenas 26,9% consideraram que a bebida atrapalha o trabalho, talvez porque 80,7% se sustentavam. 23,1% moravam sozinhos e 38,5% referiram que a bebida prejudica os relacionamentos. Verificou-se que eles não indicaram nenhuma forma eficaz de enfrentamento de problemas, apenas um apoio espiritual. Sentiam-se nervosos, irritados, tristes, revelando interferência do álcool em seus pensamentos (34,6%). Realizavam atividades de lazer ligada ou não ao álcool, e 76,9% tinham planos para o futuro, inclusive o de parar de beber. Discute-se a necessidade de insistir em estratégias diferentes para que o consumo de álcool cesse, começando quando esse consumo ainda não é nocivo ou de dependência.

Correspondência para: Marina Aleixo Diniz, e-mail: mafmtm@yahoo.com.br