Goiânia, 07 de novembro de 2005.

CRIANÇA COM AIDS: BRINCANDO PARA VIVER O SEU DIA-A-DIA

Marinalva Dias Quirino

Eloina Santana Alves

Com a crescente feminilização da AIDS em nosso meio, a criança tem sido a maior vítima dessa epidemia, tanto em relação a situação de portadora quanto em relação à orfandade, pois mulheres vítimas da AIDS, morrem em maior número na fase de reprodução e produtividade econômica. No estado da Bahia o número de crianças com AIDS vem crescendo e o atendimento se dá a nível hospitalar, quando apresenta infecções oportunistas, a nível ambulatorial para acompanhamento da criança e família e a nível social (?) quando o binômio abandonado pela família e/ou a orfandade bate-lhe à porta, refugiam-se em casas de apoio. Assim, esta pesquisa foi de suma relevância uma vez que o atendimento a nível social fica a desejar, pois o preconceito em nossos dias mata socialmente muitas das nossas crianças. Buscando entender a problemática vivenciada pela criança soropositva e com AIDS, traçou-se o objetivo: Analisar o dia-a-dia da criança com AIDS, considerando o contexto social onde vive: a casa, a vizinhança, a escola e o ambulatório onde faz tratamento. Com base em estudos epidemiológicos e, através de uma abordagem qualitativa, os atores sociais foram onze crianças em idade escolar em tratamento de AIDS, matriculadas no Ambulatório de Infecções Perinatais do Hospital das Clínicas, de ambos os sexos, procedentes da capital e do interior do Estado da Bahia. Os dados foram coletados a partir de entrevista semi-estruturada e prontuários em novembro de 2004. Foi preparado um espaço no Ambulatório para entrevistar as crianças selecionadas para o estudo, conservando a privacidade das mesmas. Para abstrair categorias a partir das falas dos atores, foi utilizada a Análise de Conteúdo. Esta, permitiu explicitar que o cotidiano das crianças deste estudo, nos diferentes contextos em que vive, compreende brincar e cuidar da saúde expressado nas falas de (Rosa I) "brinco, assisto televisão, assisto Gugu"; (Rosa II) " brinco, assisto televisão. . . tomo remédio. . . "; trabalhar e meditar na fala de Margarida I: " oro, leio a Bíblia e quando a mãe me chama vou e ajudo". De modo geral, conclui-se que elas vivem socialmente integradas e sem prejuízos aparentes no seu crescimento e desenvolvimento e que o brincar, é uma característica inerente à criança quer seja ela portadora de alguma patologia ou não. Quanto ao cuidar da saúde, categoria elaborada a partir da expressão “tomo remédio” evidenciada nas falas desses atores, traduz uma singularidade que faz parte do dia-a-dia da criança com AIDS.

Correspondência para: Marinalva Dias Quirino, e-mail: mdquirino@hotmail.com