Goiânia, 07 de novembro de 2005.

QUALIDADE DO SONO DE PORTADORES DE NEOPLASIAS EM USO DE QUIMIOTERAPIA

Franca Pellison

Maria Filomena Ceolim

As doenças neoplásicas apresentam elevadas taxas de morbimortalidade e o emprego de terapias antineoplásicas para o tratamento, em especial da quimioterapia com citostáticos, é acompanhada de vários efeitos adversos. Queixas de distúrbios do sono são freqüentes nos portadores de câncer, mas a literatura traz poucos estudos sobre aspectos específicos dos distúrbios e dos componentes da qualidade do sono destes pacientes. Neste estudo, comparou-se a qualidade do sono, a sonolência diurna e a qualidade de vida em 25 sujeitos com neoplasia, cuja idade média era 58,0 (+ 11,5) anos, antes do início da quimioterapia (Fase 1) e de um a seis meses após o início da mesma (Fase 2); e avaliou-se a ocorrência de associação entre qualidade do sono, sonolência diurna, qualidade de vida e valores de hemoglobina sérica, em cada período. Os dados foram coletados no Ambulatório de Oncoquimioterapia Clínica de um hospital universitário, em sujeitos de ambos os sexos com diagnóstico confirmado de neoplasia que não tinham realizado tratamento quimioterápico previamente, com mais 18 anos de idade e que participassem voluntariamente da pesquisa assinando Termo de Consentimento Livre e Esclarecido e respondendo ao Índice de Qualidade de Sono de Pittsburgh (PSQI), à Escala de Sonolência Epworth (ESE) e ao Medical Outcomes Study 36 – Item Short-Form Health Survey (SF-36). Não foi observada diferença estatisticamente significativa na pontuação do PSQI entre as fases do estudo, com tendência à má qualidade do sono (p=0,50 ao teste de Wilcoxon). Não foi observada diferença estatisticamente significativa entre as fases do estudo na pontuação da ESE, indicando sonolência diurna normal. Particularmente afetados foram os domínios estado geral de saúde e saúde mental, para os quais foi evidenciada diferença estatisticamente significativa entre as fases. Apenas na Fase 2, encontrou-se correlação negativa estatisticamente significativa entre a pontuação obtida no PSQI e os domínios capacidade funcional (p<0,05), dor (p<0,02) e estado geral de saúde (p<0,01), ao teste de Spearman. Corroborando outros estudos da literatura, os sujeitos com pior avaliação do estado de saúde tendem a referir sono de pior qualidade. Tais achados indicam: a necessidade de ampliar os estudos, aumentando o número de sujeitos estudados e o período de aplicação das entrevistas; a importância de avaliar a qualidade do sono dos pacientes portadores de neoplasias em uso de quimioterapia. Financiador: CNPQ/PIBIC-Unicamp

Correspondência para: Franca Pellison, e-mail: francap@fcm.unicamp.br