Goiânia, 07 de novembro de 2005.

GESTANTES E A PRÁTICA DO EXAME DE PAPANICOLAOU: SERÁ UMA REALIDADE?

Saiwori de Jesus da Silva Bezerra

Roberta Costa Aquino

Rianna Nárgilla Silva Nobre

Ana Karina Bezerra Pinheiro

Estudos apontam que grande parte da população feminina apresenta um ou mais fatores de risco para o câncer de colo uterino. Nesse contexto, as gestantes, em especial, são consideradas uma população de risco pelo fato da imunidade estar diminuída, de estar suposto não ter sido utilizado preservativo na relação sexual e da deficiência de informação quanto às formas de prevenção deste câncer. Objetivou-se identificar junto as gestantes os motivos da realização ou não do exame de Papanicolaou e analisar o conhecimento delas a respeito desse exame. Estudo descritivo-exploratório, de abordagem quantitativa. A população foi constituída de todas as gestantes atendidas na Unidade de Saúde da periferia de Fortaleza que estavam realizando pré-natal. A amostra foi composta por 32 gestantes atendidas no mês de julho de 2005. A coleta de dados foi realizada por meio de uma entrevista, utilizando como instrumento um questionário estruturado. Após coleta, os dados foram organizados em tabelas e gráficos e discutidos de acordo com a literatura pertinente. A idade das gestantes variou entre 16 a 42 anos, sendo a faixa etária predominante a de 16 a 20 anos. Verificou-se que a maioria vivia em união consensual e iniciou a vida sexual precocemente (entre 14 e 17 anos). No que se refere à sexualidade durante a gravidez, observou-se que a maioria (23) continuava mantendo relações sexuais durante a gestação e nunca fazia uso de preservativo (16). Verificou-se que o início do pré-natal se fez tardiamente, pois a maioria (18) começou após a 13a semana de gestação. No que se refere à periodicidade que realizam o exame preventivo do câncer cérvico-uterino, percebeu-se que 15 gestantes nunca realizaram ou estavam sem realizar há mais de três anos. As pesquisadas atribuíram a não realização do exame ao medo, vergonha ou desconforto ocasionado pelo mesmo. Entretanto, quando pesquisado o conhecimento sobre a importância e periodicidade do exame, verificou-se que a maioria tinha orientações recebidas de parentes, amigos e conhecidos. Conclui-se que apesar de a maioria das gestantes conhecer a importância e a finalidade do exame de prevenção do câncer de colo uterino, elas não o realizam. Considerando a gestação um período de acompanhamento por profissionais de saúde, verifica-se que há uma necessidade destes orientá-las mais efetivamente e de forma que as motive para a realização do exame.

Correspondência para: Saiwori de Jesus da Silva Bezerra, e-mail: saiwori@bol.com.br