Goiânia, 07 de novembro de 2005.

COMO NÓS ESTAMOS NOS CAMPOS ASSISTENCIAIS?

Teresa Cristina Escrivão Soares Cortez

Encontro em alguns campos assistenciais modelos que combatemos há décadas, ou seja, o enfermeiro realizando inúmeras atividades, mas infelizmente poucas são aquelas que lhe são pertinentes e específicas. Como docente luto para proporcionar ao meu aluno maior autonomia e capacidade de expor o seu conhecimento. Entretanto como enfermeira assistencial encontro enfermeiros, alguns destes, ex-alunos com comportamentos divergentes ao que propomos no sistema educacional. Dentre estes temos aqueles que se tornam “amigos de todos” e essencialmente dos médicos - sempre cumprimentam sorrindo, apóiam as decisões dos superiores ou daqueles que julgam superior incondicionalmente -sejam estas injustiças em relação ao fazer – expressa na transferência do insucesso aos auxiliares ou técnicos de enfermagem- reforçando que a enfermagem nunca faz o “certo”, “ os amiguinhos dos integrantes da sua equipe“, não checando informações referentes ao não cuidar adequado, menosprezando aqueles que divergem corretamente de seus amigos, impondo um sistema de troca de favores, os que se isolam” – permanecem em seus afazeres evitando diálogo ou confrontação com outros profissionais, não se envolvendo em conflito mesmo que estes induzam a melhoria da assistência ao ser humano, e “os que raramente estão executando funções assistenciais ou burocráticas”, basicamente estão presente na Unidade, mas estão nas suas salas, ou em outros locais realizando atividades adequadas ao seu viver – conversar futilidades com os seus pares, ficar no celular resolvendo a vida pessoal. Entendo que como ser humano também tenho falhas, mas entendo ser necessário refletirmos sobre os fatores que estão levando os enfermeiros citados anteriormente a manterem uma postura não congruente com a sua formação: seria insegurança? Falta de conhecimento? Falta de comprometimento? Conseqüência da displicência do setor formativo Reflexo do sucateamento do setor saúde?. Características pessoais? Exercício de uma profissão não idealizada/sonhada? A hegemonia médica e de outros profissionais que se entendem também “doutores” e insistem em não reconhecer o saber e a especificidade do enfermeiro enfermagem está levando a estes comportamentos? Este comportamento seria uma acomodação que camuflam a submissão a outros profissionais?Acredito ser fundamental desatarmos estes nós, pois enquanto alguns enfermeiros, insistirem em terem comportamentos que divergem da sua formação não favorecerão a visão do saber científico da enfermagem.

Correspondência para: Teresa Cristina Escrivão Soares Cortez, e-mail: teresacristinacortez@ig.com.br