Goiânia, 07 de novembro de 2005.

ROTATIVIDADE DOS TRABALHADORES DE ENFERMAGEM

Helena Hemiko Iwamoto

Maria Luiza Anselmi

INTRODUÇÃO: no Brasil, nos anos 90 e, ao longo desta década, inúmeras transformações aconteceram no campo das políticas públicas, econômicas e sociais, as quais vêm determinando mudanças no mundo do trabalho, na reorganização do sistema de saúde, na qualificação profissional que sem dúvida repercutem na dinâmica de funcionamento do mercado de trabalho em saúde e, por conseqüência, na movimentação/rotatividade dos trabalhadores de enfermagem. OBJETIVOS: mensurar e descrever a rotatividade dos trabalhadores de enfermagem da rede hospitalar do município de Uberaba-Minas Gerais. METODOLOGIA: estudo descritivo realizado em onze hospitais, sendo 1 público, 6 privados e 4 filantrópicos. A população constituiu-se de todos os enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem que, no período de 1º de janeiro a 31 de dezembro de 2003, mantiveram vínculo empregatício nos hospitais estudados. A rotatividade foi verificada aplicando-se indicadores globais: taxas de admissão (TA) e de desligamento (TD), taxa líquida de substituição (TLS) e permanência média no emprego (em anos). Os dados foram coletados mês a mês, em fontes secundárias originárias do cadastro de empregados e folha de pagamento. RESULTADOS: nos hospitais estudados ocorreram 327 admissões e 276 demissões. As taxas de admissão dos trabalhadores (31%) foram superiores às de desligamento (26,1%). Os hospitais privados apresentam as maiores TA (44,3%) e TD (42,1%). A TLS dos trabalhadores foi de 24,3%. O maior nível de TLS situa-se nos hospitais privados (30,7%). O quadro de trabalhadores da rede hospitalar seria totalmente renovado em 3,6 anos; nos hospitais privados, isso ocorreria em 2,4 anos enquanto no público, em 5,3 anos. Todos os enfermeiros seriam substituídos em 4,7 anos e os técnicos e auxiliares de enfermagem em, aproximadamente, 3,5 anos. CONSIDERAÇÕES FINAIS: pelos indicadores utilizados, a rotatividade dos trabalhadores de enfermagem pode ser considerada elevada em 2003 em toda a rede hospitalar do município de Uberaba, mas, sobretudo, nos hospitais privados. Em alguns deles, a substituição de trabalhadores foi intensa, sem a devida reposição das vagas deixadas pelos demitentes como é o caso dos auxiliares de enfermagem. Ainda nesses hospitais verificou-se que, mantidas as condições atuais em termos de admissão, desligamento e quantitativo de trabalhadores em serviço, o quadro geral seria renovado totalmente em breve espaço de tempo, o que é altamente comprometedor à assistência de enfermagem.

Correspondência para: Helena Hemiko Iwamoto, e-mail:

iwamotokato@uol.com.br