Goiânia, 07 de novembro de 2005.

DOENÇA CRÔNICA: VIVÊNCIA DO FAMILIAR NA HOSPITALIZAÇÃO DA CRIANÇA

Fernanda Machado da Silva

Ione Correa

INTRODUÇÃO: A atuação na Unidade Pediátrica levou-nos a refletir sobre a importância do familiar acompanhante da criança com doença crônica durante a hospitalização. A doença crônica demanda longas internações, além da imposição de limitações funcionais ao indivíduo e mudanças na dinâmica familiar. A motivação desse estudo advém do fato de que a família tem,cada vez mais, assumido parte da responsabilidade nos cuidados. Sendo assim, necessita de apoio. Cabe aos profissionais a prática da supervisão e orientação da equipe de trabalho e do familiar. Cuidar de família exige a captação de suas experiências internas,aquelas que nos revelam os significados atribuídos aos eventos vivenciados. OBJETIVO: Compreender a vivência do familiar da criança portadora de doença crônica frente à internação. MÉTODO: Estudo de caso com abordagem qualitativa, tendo como questões norteadoras os sentimentos dos acompanhantes durante a internação da criança. RESULTADOS: Os depoentes expressam sentimentos de medo e ansiedade, considerando-se fonte de proteção e segurança para a criança durante a hospitalização. Algumas mães são contrárias às mudanças na escala diária de trabalho, por acreditarem que causam prejuízo à criança, não fortalecendo o vínculo equipe-criança-família. O familiar enfrenta adversidades para cumprir o que define como seu dever: proteger e poupar a criança do sofrimento. O médico é apontado como o profissional com quem o acompanhante manteve o primeiro contato, seguido da equipe de Enfermagem, o que demonstra que a sistematização no momento da internação ainda é incipiente. Os pais com maior grau de instrução sentem-se satisfeitos em relação às orientações, o que sugere a sua maior capacidade de compreensão. A figura paterna inicia sua presença na qualidade de acompanhante, afirmando sua importância no suporte emocional e contribuição nos cuidados. Os pais em sua maioria sentiram-se amparados pela assistência realizada pelos funcionários, ressaltando que a atenção médica é maior, embora a equipe de enfermagem realize o planejamento dos cuidados e permaneça por mais tempo ao lado do familiar. CONCLUSÃO: Os profissionais têm dificuldades em associar o familiar a um importante objeto de enfoque na assistência à criança, para aprender a lidar não só com sua presença física na internação, mas também compreender suas particularidades diante da nova situação, considerando-no como parte integrante e fundamental dos cuidados à criança hospitalizada em virtude de doença crônica.

Correspondência para: Fernanda Machado da Silva, e-mail: tita_enf@yahoo.com.br