Goiânia, 07 de novembro de 2005.

O SENTIMENTO DAS PESSOAS QUE VIVENCIAM A DEPENDÊNCIA QUÍMICA DO ÁLCOOL

Manoela Souza Costa

Elza Maria de Sousa Resende

Maria Salete Pontiere Silva

O alcoolismo constitui hoje um grave problema que atinge indivíduos e as famílias levando nos a escolher o estudo do álcool entre tantos outros possíveis. Foi incorporado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) a classificação internacional das doenças em 1967 (CID 8), a partir da VIII Conferência Mundial de Saúde. Segundo a OMS o alcoolismo figura entre as cinco doenças mais incapacitantes. Os homens são mais atingidos do que as mulheres, sendo que para cada mulher dependente de álcool há aproximadamente cinco homens. Dessa forma, o conhecimento do alcoolismo e sua vivência são importantes, pois poderá trazer subsídios a um cuidado individualizado e autêntico, vivenciado no coletivo. Isto posto, este trabalho teve por objetivo a compreensão do alcoolismo sob a perspectiva dos indivíduos que vivenciam este fenômeno. O estudo foi fundamentado pela pesquisa qualitativa com abordagem fenomenológica. Os depoimentos foram obtidos por meio de entrevista fenomenológica sujeito / pesquisador com seis indivíduos, sendo três clientes da Pax – Clínica e três membros dos Grupos Alcoólicos Anônimos, dos municípios de Aparecida de Goiânia e Goiânia respectivamente, a partir das questões norteadoras: “de uma maneira geral o que o álcool representa em sua vida”? “para você, como é viver a dependência do álcool”? Da análise compreensiva dos discursos emergiram as seguintes categorias: Realizações (no trabalho, interpessoais, auto-estima); espiritualidade e religiosidade; justificativa do uso (relato de perdas, relato de dependência); tentativa de reconstrução do futuro (medo de recaídas). Os resultados mostraram que o alcoolista é um ser que se encontra num estado de impotência para lutar contra as vicissitudes da existência, envoltas num vazio existencial, cuja expressão se revela no sentimento de frustração, angústia, ansiedade. Desvelou que os sujeitos propõem a realizar atividades (trabalho), projetos de vida que visam à criação, o estabelecimento de vínculos afetivos ou ambicionam posses e melhores condições financeiras que propiciem melhor qualidade de vida. Nota-se que, direta ou indiretamente, suas colocações revelam esperança e iniciativa para sair do estado de passividade. Vinculam a realização destes projetos com o abandono do uso do álcool. Os membros da equipe de enfermagem tendem a ser mais sensíveis aos sentimentos dos pacientes e, freqüentemente, tornam-se emocionalmente envolvidos nestes sentimentos.

Correspondência para: Manoela Souza Costa, e-mail: enferlelaguapa@yahoo.com.br