Goiânia, 07 de novembro de 2005.

REFLETINDO SOBRE O TRABALHO DA ENFERMEIRA AUDITORA

Elcimara Amorim de Jesus

Angela Tamiko Sato Tahara

Nos últimos anos o trabalho em auditoria em saúde vem se expandindo e despertando interesse dos profissionais desta área, principalmente médicos e enfermeiras. Durante os cinco anos em que atuei como auditora externa e interna na área hospitalar pude vivenciar e observar diversas peculiaridades desta atividade que me despertaram para a necessidade de expor estas observações. Este trabalho é um relato de experiência que tem como objetivo geral identificar os fatores que se relacionam com o trabalho em auditoria de enfermagem interna e externa em hospitais privados de médio e grande porte da cidade de Salvador. O trabalho consistiu em pontuar as principais questões relacionadas ao trabalho em auditoria de enfermagem que foram objeto de reflexões entre as enfermeiras auditoras e agrupá-las de acordo com sua relação a fatores técnicos, econômicos, sociais e políticos. A partir deste exercício obtivemos os seguintes resultados: as questões relacionadas aos fatores técnicos denotam que o trabalho em auditoria realizado na rede hospitalar privada é direcionado principalmente para a análise da conta hospitalar. Esta análise é por vezes uma tarefa repetitiva, um trabalho desgastante em decorrência da elevada quantidade e complexidade das contas analisadas; Além de deter conhecimento técnico a auditora necessita de informações adicionais (protocolo, contratos) e muitas vezes estas informações não são disponibilizadas, gerando inconformidades no resultado final da auditoria e confitos entre auditoras externas e internas. Os fatores econômicos evidenciaram-se através da baixa remuneração, a precarização do trabalho, principalmente de enfermeiras que atuam como auditoras externas. Os fatores políticos dizem respeito à própria organização do trabalho em auditoria, apesar das atividades serem privativas da enfermeira e regulamentadas pelo Conselho Federal de Enfermagem, observou-se a realização da auditoria - ainda que em pequena proporção - por graduandos do curso de enfermagem e por auxiliares e técnicos de enfermagem, comprometendo a qualidade dos resultados desta auditoria. Ao realizarmos este relato pudemos perceber a necessidade de realizarmos uma maior discussão sobre o trabalho em auditoria de enfermagem, e a partir disto sugerimos que seja realizado um fórum de debates juntamente com profissionais, entidades de ensino e representantes de classe da enfermagem, esperando com isso uma maior integração e fortalecimento do grupo de enfermeiras auditoras.

Correspondência para: Elcimara Amorim de Jesus, e-mail:

mamorim@atarde.com.br