Goiânia, 07 de novembro de 2005.

VIOLÊNCIA ESTRUTURAL E O MUNDO DO TRABALHO DA ENFERMEIRA NO PSF

Francimar de Jesus Moreira de Moura

Marcia Teza Luz Lisboa

Esta pesquisa foi desenvolvida como tese de Doutorado em Enfermagem -NUPENST/DESP/EEAN/UFRJ. Teve como objeto de estudo: a violência estrutural presente no mundo do trabalho das enfermeiras que atuam no Programa Saúde da Família, vem se constituindo como um fator de risco à sua saúde, e como objetivos: Identificar os tipos de violência no ambiente de trabalho das enfermeiras do PSF; Discutir as estratégias de defesa utilizadas pelas enfermeiras do PSF para se preservarem da violência; Analisar as repercussões da violência na saúde das enfermeiras. Consistiu num estudo descritivo, com abordagem qualitativa tendo como eixos condutores: os estudos da Psicodinâmica do Trabalho (DEJOURS) e os princípios da dialética, entendidos como “. . . o modo de pensarmos as contradições da realidade, o modo de compreendermos a realidade como essencialmente contraditória e em permanente transformação. ” (KONDER, 1998 p. 8). Para a análise de conteúdo utilizou-se os postulados de Bardin. Participaram do estudo quinze enfermeiras que atuam nesse programa, no município do Rio de Janeiro. As categorias de análise que emergiram foram: A Violência no Ambiente de Trabalho: visualisando a sua invisibilidade; Trabalho, Violência e Estratégias Defensivas; Trabalho, Violência e Riscos à Saúde. Os resultados indicaram que a participação das enfermeiras no PSF tem sido de fundamental importância, entretanto os locais de trabalho em que atuam, apresentam índices de violência externa e interna, levando à mobilização de investimentos afetivos como amor, ódio, amizade, solidariedade, confiança, medo, bem como de estratégias defensivas que utilizam, como silêncio, cegueira, resignação, raiva, passividade, geradoras de estímulos estressores e fatores determinantes de agravos à saúde dessas trabalhadoras.

Correspondência para: Marcia Teza Luz Lisboa, e-mail: demouraf@terra.com.br