AUTONOMIA NA ENFERMAGEM
Taciara Bohn
Rosangela Zerbielli
Clarice Kronbauer
Luiz Anildo Anacleto da Silva
Ao desenvolver uma breve reflexão acerca do que representa a autonomia, observa-se que esta não pode ser abordada de uma maneira isolada, pois faz parte de um sistema organizacional complexo que envolve questões relativas ao poder, modelos de administração, paradigmas, culturas, historicidade das relações capital e trabalho, modelo de trabalho, situação em que alguns têm a função de chefiar, coordenar, supervisionar, enquanto que outros têm a função de obedecer, cumprir, fazer, dissociando o saber do fazer, sistema de informações não somente verticalizadas descendentes, mas também ascendentes e horizontalizadas. Mesmo sabendo das inter-relações acima descritas, o foco desta discussão é autonomia na enfermagem. As organizações, incluídas as de saúde, passam por um momento singular, quando se procura efetividade na atenção a população, com resolutividade associados a custos baixos, até porque há um desequilíbrio na relação demanda/oferta de serviços. Uma das premissas fundamentais na implementação de um projeto de autonomia está na capacitação dos trabalhadores para que possam aprender a desempenhar todas as tarefas necessárias para fazer a unidade funcionar, mesmo que esta não exclua a busca por especialização em algum segmento especifico. O sujeito envolvido em uma equipe autônoma de trabalho necessita ser conhecedor de sua área de atuação e ter a capacidade de atuação nas atividades correlatas. Para os trabalhadores importa sentir-se participante ativo no processo de trabalho, pois se passa uma parte significativa do dia e da vida no trabalho, portanto não basta somente fazer e sim associar ao significado pessoal ao social do trabalho, desta forma a manutenção de um vínculo do trabalhador em relação à organização é preponderante para o sucesso pessoal e organizacional. A autonomia plena implica em mudanças de mentalidade, ter pensamento includente, educação compartilhada e em busca de novos conhecimentos e habilidades, comprometimento, planejamento, forte noção de trabalho em conjunto, responsabilidade, confiança, adequar os objetivos pessoais e organizacionais. Ter autonomia não significa abdicar em nenhum momento, autonomia significa desenvolver um forte comprometimento com as pessoas e organizações, capacitar e capacitar-se a pensar, planejar, agir e, sobretudo potencializar os grupos de trabalho.
Correspondência para: Taciara Bohn, e-mail:
taciara.bohn@detec.unijui.tche.br
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