Goiânia, 07 de novembro de 2005.

ATUAÇÃO DA ENFERMAGEM NAS AÇÕES EM ÁREA INDÍGENA: RELATO DE EXPERIÊNCIA

Mávia Mendes

Mirela Gribov

Há cinco séculos os portugueses chegaram ao litoral brasileiro, dando início a um processo de migração que se estenderia até o início do século XX, e paulatinamente foram estabelecendo-se nas terras que eram ocupadas pelos povos indígenas. Em 1967, com a extinção do SPI, foi criada a Fundação Nacional do Índio (FUNAI), baseando-se no modelo de atuação da SUSA, criou também as Equipes Volantes de Saúde (EVS). Essas equipes realizavam atendimentos esporádicos às comunidades indígenas de sua área de atuação. Em 1999, a portaria Nº 1. 163/GM determinou que a execução das ações de atenção à saúde dos povos indígenas dar-se-á por meio da Fundação Nacional de Saúde (FUNASA). Atualmente no Brasil vivem cerca de 345 mil índios, que representa cerca de 0,2 % da população brasileira. Há estimativas que além destes existem entre 100 e 190 mil vivendo fora das terras indígenas, em áreas urbanas. Os povos indígenas estão presentes em quase todos os estados brasileiros, com exceção do Piauí e Rio de Janeiro. Apesar de constituir apenas 0,2 % da população brasileira, em algumas regiões a presença indígena é significativa; em Roraima (15 % da população), Amazonas (4 %) e no Mato Grosso do Sul (3 %). A ação de saúde nas áreas indígenas é feita por profissionais contratados pela Organização Não Governamental (ONG) atuante e/ou convênio FUNASA/PREFEITURA. O Vale do Javari fica situado a 1. 300 Km de Manaus, na divisa com o Peru, próximo da fronteira com a Colômbia, totalizando 8 milhões de hectares de mata preservada e demarcada para os povos indígenas que habitam neste Vale. As ações do Vale do Javari são realizadas através do convênio FUNASA/Prefeitura de Atalaia do Norte-AM/ONG Conselho Indígena Vale do Javari (CIVAJA). As imunizações são realizadas conforme planejamento FUNASA-CIVAJA; o calendário de imunização dos povos indígenas difere do nosso. Eles têm o direito de receber suas doses independentes de idade e/ou agravos patológicos. Porém os fatores inopinados, climáticos, logísticos entre outros dificultam o cumprimento do calendário do programa de imunização. Atuar em saúde pública é satisfatório, seja no interior ou na capital, mas a satisfação na área indígena é dobrada, foge do trivial. A Amazônia é uma imensa obra de arte; o trabalho, realmente, é dar luz aos olhos. Fazer imunizações, ações de saúde pública em área indígena é ter coragem de experimentar muitos modos de ser.

Correspondência para: Mávia Mendes, e-mail: maviamendes@yahoo.com.br