O ADOLESCENTE TÉCNICO EM ENFERMAGEM
Wanja Penna da Costa Cruz
O ensino da enfermagem no Brasil, foi influenciado pelo contexto socio-político-econômico do País. Uma nova visão da saúde, exigiu uma nova prática de enfermagem e uma reformulação das instituições responsáveis pela formação profissional. O presente trabalho tem a preocupação em destacar um importante personagem, o adolescente técnico em enfermagem, sua formação e as dificuldades de inserção no mercado de trabalho. “De que maneira o ensino profissionalizante de técnico de enfermagem pode atender às necessidades de formação integral de jovens que concluem sua formação técnica mas que continuam legalmente impossibilitados de se inserirem no mercado de trabalho?”, ou, em outras palavras, “é possível transformar o que seria um ‘período ocioso' em um tempo de aprendizado e maior integração entre os pólos escola, aluno e comunidade?”. O trabalho é organizado apresentando um panorama sobre a educação no Brasil, uma análise acerca da profissionalização e mercado de trabalho para o técnico me enfermagem, e finalizando, apresentamos a metodologia por pesquisa exploratória, descritiva e participativa entre dez ex-alunos com idade entre 16 e 19 anos do curso técnico de enfermagem do colégio Estadual Hilton Gama. Realizada pesquisa de campo com aplicação de dois questionários anos de 2003 e 2005. Dos ex-alunos pesquisados em 2003, 50% era menor de idade. A principal dificuldade apresentada foi a falta de integração entre alunos, escola e instituição de estágio. Como também no campo financeiro e pessoal pelo fato de não poderem exercer a profissão e acabam na informalidade e/ou subemprego. Na pesquisa de 2005 percebeu-se uma maturidade dos jovens e um equilíbrio no que diz respeito ao mercado de trabalho e a realização pessoal. Alguns se sentiram afetados a nível financeiro e viram-se obrigados a atuar em outros setores. Pode-se concluir também que a transformação do que seria um ‘período ocioso' dos adolescentes técnicos de enfermagem em um tempo de aprendizado e maior integração entre os pólos escola, aluno e comunidade, é uma possibilidade. O resultado da pesquisa de campo acusa que a maioria dos adolescentes opta em trabalhar em outra área. Consideramos ser necessário uma exigência a promoção de uma maior articulação entre os projetos de educação profissional e de educação geral, possibilitando uma oferta de formação para os trabalhadores de saúde mais integrada, voltada para qualificação que ampliem seu leque de inserção no mercado de trabalho.
Correspondência para: Wanja Penna da Costa Cruz, e-mail: wanjapc@csa.microlink.com.br
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