Goiânia, 07 de novembro de 2005.

O GRUPO FOCAL COMO UMA ESTRATÉGIA PARA AMPLIAÇÃO DA CIDADANIA

Roseney Bellato

Wilza Rocha Pereira

A reflexão aqui apresenta busca discutir acerca das enormes potencialidades do emprego do Grupo Focal como estratégia metodológica na busca pela ampliação da cidadania dos participantes em relação ao foco do estudo em que se situa. Tivemos por base o desenvolvimento de pesquisa realizada junto a trabalhadores de enfermagem de um serviço público hospitalar em que um de seus objetivos foi propiciar a esses sujeitos uma reflexão acerca de como foi a experiência de buscar atendimento de saúde para si próprio ou para parente próximo no mesmo serviço em que atua profissionalmente, de maneira a que pudessem identificar as facilidade, dificuldades encontradas nesse processo e maneiras possíveis de superação dessas. Trabalhando inicialmente com entrevista semi-estruturada foi possível a partir dos dados aí obtidos identificar os temas geradores a serem empregados na fase seguinte da pesquisa, ou seja, na discussão junto a dois grupos focais. Atuando como Apoiadoras ao estabelecemos uma relação de paridade com os demais membros do grupo, buscamos auxiliar no desenvolvimento da capacidade de construir análises e soluções compartilhadas sobre os seus próprios direitos à saúde e como o serviço de saúde em que atuam profissionalmente responde a eles. Por termos tido a oportunidade de trabalhar tanto com a entrevista quanto com o grupo focal abordando a mesma temática, foi possível perceber como este último pode propiciar, de maneira coletiva, um aprofundamento maior da discussão, sendo esse momento fundamental para apreendermos dimensões até pouco visíveis acerca da vivência do processo de busca por internação, por parte dos trabalhadores de enfermagem, no mesmo serviço de saúde em que atuam profissionalmente. A partir dos elementos que emergiram das discussões pudemos perceber que há um grande potencial do coletivo de trabalhadores de enfermagem sujeitos do estudo para serem atores e autores de processos de auto-gestão de suas próprias necessidades de condições adequadas de trabalho e de saúde. Foi nesse espaço/tempo de discussão que se oportunizou também que os sujeitos do estudo pudessem analisar a importância da sua participação, como profissional de enfermagem, para a qualidade da assistência prestada nesse serviço, bem como descortinou-se possibilidades de luta coletiva para empreender a garantia e ampliação dos seus direitos à saúde, de maneira que possam vir a contribuir para o aumento da cidadania própria e dos demais usuários do serviço de saúde.

Correspondência para: Roseney Bellato, e-mail: roseney@terra.com.br