PERSPECTIVAS DO AGIR COMUNICATIVO IMPLÍCITAS NO DISCURSO DA ENFERMAGEM
Lucia Nazareth Amante de Souza
Maria Itayra Coelho de Souza Padilha
Este estudo tem como objetivos identificar a ação de enfermagem no discurso das autoras de enfermagem que revelam as pretensões de verdade e justiça e refletir sobre o modo como a enfermagem pode superar a noção tecnicista resgatando os valores de verdade e justiça no agir comunicativo. A opção metodológica se faz pela pesquisa qualitativa documental de artigos publicados em periódicos de enfermagem, entre 1990 e 2002, sendo selecionados 112 textos. A análise de conteúdo evidencia três categorias: o cuidado de enfermagem como ação estratégica; fundamentação do conhecimento; o agir comunicativo em enfermagem. A dominação instrumental sobre a organização dos serviços revela, na categoria cuidado de enfermagem como ação estratégica, a dominação pelo conhecimento, normatizada e controlada nos serviços de saúde, cujo reflexo se observa pelo predomínio dos paratos tecnológicos e na tecnologia que dividem o espaço que os sujeitos ocupam em busca de soluções para situações problematizadas de saúde. A fundamentação do conhecimento de enfermagem remete para a noção de aprendizagem e a presença do observador, que viabilizam o desenvolvimento moral transformador e diferencia as atitudes e comportamento, permitindo a solução consensual de conflitos de ação moralmente relevantes. A possibilidade de argumentação permite avançar em conhecimentos teóricos, práticos e morais que renovam a linguagem e superam as dificuldades e os erros de compreensão. O agir comunicativo em enfermagem apresenta a comunicação como a mobilização humana voltada para a organização de grupos sociais que se formam com o intuito de promover, manter e preservar a saúde e com a compreensão dos modos como os sujeitos percebem e expressam suas emoções e sentimentos. Ao aproximar Teoria da Ação Comunicativa e serviço de enfermagem, onde se encontra o mundo vivido do sujeito com o mundo social das relações e com o mundo instrumental do cuidado à saúde, permite uma compreensão filosófica dos paradoxos, das contradições da modernidade e fundamenta a necessidade de ser-mais em uma relação. Os pressupostos de Habermas estão identificados na compreensão da interação como um momento no qual os valores, as crenças e o conhecimento dos sujeitos são compreendidos e respeitados. Confirma-se assim a tese de que a ação comunicativa é uma das possibilidades para a realização da emancipação humana, pois resgata a subjetividade e a capacidade de ser-mais em uma relação.
Correspondência para: Lucia Nazareth Amante de Souza, e-mail: luciamante@gmail.com
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