CONCEPÇÕES DE ENFERMEIROS FRENTE AO PACIENTE ALCOOLISTA E O ALCOOLISMO
Daniela Maria Lucca
Divane de Vargas
A história do conhecimento e crenças sobre o alcoolismo reflete os valores e idéias de cada época, assim, as crenças estereotipadas têm determinado o foco de pesquisas e atitudes sobre o álcool e alcoolistas. Tais crenças têm se refletido em investigações científicas sobre a dedicação de cuidados a tais pacientes. Partindo deste pressuposto, este estudo busca entender como se dá a atuação do enfermeiro frente ao paciente alcoolista no hospital geral, tendo em vista que a literatura aponta situações que revelam a rejeição da equipe de enfermagem frente ao mesmo. Trata-se de um estudo quantitativo com delineamento exploratório, que teve como objetivo avaliar as concepções de enfermeiros frente ao paciente alcoolista e o alcoolismo. Esta pesquisa foi realizada com dez enfermeiros de um hospital geral de Bebedouro, interior de São Paulo. Utilizou-se como instrumento de coleta, um questionário contendo dez questões, envolvendo o uso do álcool e o paciente alcoolista. A análise dos dados mostrou que 100% dos enfermeiros acreditam que o alcoolismo é uma doença e que estes pacientes devem receber atendimento/tratamento, 50% expressam indiferença em trabalhar com alcoolistas e 60% dos profissionais acreditam que estes indivíduos bebem para fugir dos problemas. Os enfermeiros vêem o alcoolista como pessoas desobedientes, solitárias e que não gostam de ser como são, em contrapartida, 4% acreditam que estes pacientes são felizes e estão satisfeitos com sua vida, mas ainda assim consideram estes pacientes como arrogantes. Segundo 100% destes profissionais, pessoas saudáveis podem se tornar dependentes. E 60% acredita que o uso moderado do álcool é menos prejudicial à saúde. Os preconceitos sociais estabelecidos em relação a estes pacientes, podem influenciar as concepções dos enfermeiros sobre os pacientes alcoolistas, o que pode ser indicativo de falta de treinamento e informação sobre a doença. É importante que o enfermeiro receba melhor capacitação para atuar junto a estes pacientes, pois a demanda de alcoolistas tende a crescer em todos os espaços de atenção, o que vai exigir cada vez mais os cuidados do enfermeiro na assistência aos problemas psicológicos e físicos decorrentes do “uso e/ou abuso” do álcool.
Correspondência para: Divane de Vargas, e-mail: devargas@eerp.usp.br
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