RISCO BIOLÓGICO NO ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR
Denise Rego de Sá Viana
Gertrudes Teixeira Lopes
O Atendimento Pré-Hospitalar (APH) é uma modalidade de socorro à emergência clínica e traumática ocorrida em via pública. Os profissionais que aí exercem as suas atividades estão sujeitos a uma gama de riscos, dentre eles, o risco biológico. O objeto do estudo é o comportamento preventivo adotado pelos técnicos e auxiliares de enfermagem diante da exposição a material biológico no atendimento pré-hospitalar. O objetivo foi avaliar o profissional de enfermagem do atendimento pré-hospitalar, quanto à adoção de comportamento preventivo em relação ao material biológico no atendimento às vítimas. O referencial teórico fundamenta-se no Modelo de Crenças em Saúde de Rosenstock, em suas dimensões básicas: susceptibilidade percebida, severidade percebida, benefícios percebidos e a percepção dos aspectos conflitantes para a prevenção. Trata-se de um estudo descritivo, com abordagem qualitativa. O cenário foi o Serviço de Atendimento Pré-Hospitalar do Grupamento de Socorro de Emergência do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro. Os sujeitos foram os profissionais de enfermagem de nível médio, que são militares que integram as unidades móveis dos socorros básicos e avançados, em atendimento na cidade do Rio de Janeiro. Para a coleta de dados foram adotadas a entrevista semi-estruturada e a observação direta de campo. A análise dos dados foi baseada na Análise de Conteúdo, preconizada por Bardin. A partir da análise de conteúdo, emergiram as seguintes categorias: Percepção da Susceptibilidade ao Risco Biológico, Percepção dos Benefícios na Utilização das Medidas de Proteção, Percepção da Consequência de Exposição a Material Biológico e Percepção de Incorporação de Atitudes e Ações de Prevenção. A análise das categorias evidenciou que, no comportamento preventivo adotado pelos profissionais de enfermagem, não é atendida a percepção dos aspectos conflitantes para a plena adesão aos equipamentos de proteção individual (EPI). O estudo mostra que o uso correto dos EPI perpassa necessariamente por uma formação de cultura, fato que ficou evidente quando observada a incorporação das luvas pelos profissionais, a partir do advento da AIDS. Isto entretanto, não se observa quanto ao uso dos demais equipamentos. Conclui-se que não é adequado o comportamento preventivo adotado pelos profissionais de enfermagem diante do risco biológico no atendimento pré-hospitalar, o que implica em risco à saúde desta população.
Correspondência para: Denise Rego de Sá Viana, e-mail: desaviana@uol.com.br
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