Goiânia, 07 de novembro de 2005.

DOAÇÃO DE ÓRGÃOS E TECIDOS, QUESTÃO DE INFORMAÇÃO OU SENSIBILIZAÇÃO?

Denise Rego de Sá Viana

Carla Mara Hypolito

O posicionamento de parte da população com nível de escolarização mais elevados, quanto à doação de órgãos e tecidos, sempre nos suscitou dúvidas e colocou-nos a necessidade de conhecer para intervir; que ora tentamos apreender em fórum de discussão fora da área da saúde na semana de doação de órgãos e tecidos, ocorrido na cidade do Rio de Janeiro, envolvendo população de nível médio e superior. O trabalho tem por objetivo avaliar os principais motivos que levam as pessoas a optarem em ser ou não ser doador e proporcionar reflexão quanto a doação de órgãos e tecidos. Optou-se por uma abordagem quanti-qualitativa, utilizando dados coletados em mine-questionários, totalizando o número de 659. Utilizamos como perguntas: Sou Doador; Não Sou Doador e se Seria um Doador, solicitando justificativa de caráter subjetivo. Os dados apontados refletiram um total de 43% que se colocaram favoráveis a doação contra 33% que se colocaram contrários a doação, e 24% que se posicionaram como os que poderiam se tornar doadores. Os motivos apontados quanto a ser doador foram: POR SOLIDARIEDADE 47%; CONTINUAÇÃO DA VIDA 25%; POR CONSCIÊNCIA CIDADÃ 24% e 4% não especificados. Estes dados contrastados quanto a não ser doador foram: FALTA DE INFORMAÇÃO 51%; NÃO ACREDITAR NO SITEMA DE SAÚDE 31%; POR CONVICÇÃO 9%; MEDO DO TRÁFICO DE ÓRGÃOS 4%; DOENÇA 4% e em menor proporção a RELIGIÃO com 1%. Já no quadro dos que poderiam ser doadores, foram elencados motivos tendentes a negação, seja por falta de informação sobre a doação de órgãos e tecidos e o medo do tráfico de órgãos e outros com posicionamento favorável, por questão de solidariedade. Concluímos que apesar desta parcela da população possuir acesso aos meios de comunicação e informação, não obtém conhecimento adequado e ou necessário sobre doação de órgãos e tecidos e que além disto, existem preconceitos formados cultural e socialmente que mesmo com a informação não geram mudanças. Evidenciamos assim a necessidade de construção de um política de educação em saúde que veicule não só a informação, mas a sensibilização desta população a questão da doação de órgãos e tecidos.

Correspondência para: Denise Rego de Sá Viana, e-mail: desaviana@uol.com.br