A RELEVÂNCIA DO SUPORTE FAMILIAR EM SAÚDE MENTAL
Crhis Netto de Brum
Thaiane Cristini Mai Van Erkelens
Fernanda Sarturi
A Lei da Reforma Psiquiátrica preconiza a reestruturação da atenção à saúde mental e direciona o olhar à pessoa, sua cultura e suas relações familiares. Para Turner (1970), a família por suas características especiais de proximidade e convivência está melhor agrupada e tem maiores condições para acompanhar o processo saúde-doença de seus membros. Assim, para que esta reabilitação seja obtida é preciso que a família do paciente esteja preparada para recebê-lo, apoiá-lo, e ainda compreendê-lo. O presente estudo pretende, através de uma revisão de literatura, ressaltar a importância do suporte familiar no processo saúde-doença. As idéias do Projeto de Lei do deputado Paulo Delgado lançado em 1989, visavam à substituição do modelo hospitalocêntrico por um atendimento descentralizado e hierarquizado. Esse novo modelo pretende diminuir o número de internações, reintegrar o doente a sociedade e a família e ainda favorece o acesso dessas pessoas ao sistema de saúde. Neste sentido, há a criação de estruturas extra-hospitalares para o atendimento psiquiátrico como os hospitais-dia, os lares abrigados, as oficinas terapêuticas, os centros de atendimento psicossocial, esses locais oferecem a retomada da identidade do ser, elevando sua auto-estima. Conforme Lalanda (1995) a presença de um doente mental afeta normalmente a estrutura relacional da família, interferindo assim no nível das rotinas diárias, do lazer e ainda tem-se a tensão dada pela imprevisibilidade do comportamento do doente. Essas famílias experimentam um sentimento de marginalização, sentem-se culpados, ansiosos e com raiva pela situação vivenciada, gerando uma sobrecarga física e emocional pela falta de compreensão do processo. Conforme Barroso (1999) a família, como sistema, interage com outros sistemas, o sociocultural, o econômico, o religioso, o ideológico, o cósmico e ainda os media. Nesse intercâmbio, a família recebe insumos do meio circundante e este fornece seus produtos. Conforme a afirmação acima citada surge um importante questionamento sobre que tipo de insumos os familiares recebem para que atuem como suporte na recuperação e reabilitação psicossocial de seus familiares que sofrem mentalmente. Portanto é ineficaz a realização de uma reforma psiquiátrica que tem por objetivo a ressocialização dos doentes mentais sem que haja uma preocupação com a família deste paciente, e o meio no qual estão inseridos.
Correspondência para: Crhis Netto de Brum, e-mail: crhisbrum@yahoo.com.br
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