ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM AO CLIENTE DIABÉTICO SUBMETIDO À AMPUTAÇÃO
Maritza Rodrigues Borges
Luciana Rabelo Araújo
Elisângela Maria Soares
Flávia Aparecida Dias
Letícia Baliana
Viviane da Silva Filgueira
Fernanda Silva Santos
Lílian Varanda Pereira
Pacientes portadores de pé diabético são submetidos a internações prolongadas, que elevam os custos do tratamento e oneram a família e o sistema de saúde. Buscando minimizar o desgaste emocional tanto de pacientes como de cuidadores e de profissionais da saúde, desenvolveu-se este estudo com o objetivo de sistematizar a assistência de enfermagem a um cliente diabético, portador de lesão pós-amputação de pododáctilos, buscando imprimir um caráter racional e holístico ao processo de cuidar. A experiência foi vivida em um Hospital Escola do interior de Minas Gerais. A coleta de dados foi realizada através de entrevista semi-estruturada, exame físico, consulta ao prontuário, e avaliação de exames laboratoriais por meio de instrumento elaborado para esse fim, com base nas Necessidades Humanas Básicas (HORTA, 1979). Relato de caso: LCC, 65 anos, masculino, diabético, glicemia = 410 mg/dl e lesão cutânea em pé D, de extensão igual a 10x8cm na região dorsal e 12x6cm na região plantar, com tunelizações de 5 cm em região dorsal e de 4 cm em região plantar, grande quantidade de secreção purulenta e fétida e tecido necrótico. Após ter sido submetido à amputação de hálux e de 2o e 3o pododáctilos, apresentou área circunjacente hiperêmica, com hipertermia e edema. Tal fato levou a outros dois desbridamentos cirúrgicos com anestesia. O Diagnóstico de Enfermagem prioritário foi Integridade tissular prejudicada. As intervenções foram prescritas pelo enfermeiro e incluíram: curativos diários com limpeza exaustiva da lesão com SF 0,9%, primeira cobertura com papaína creme e em solução a 10%, 6% e 3% e desbridamento mecânico/cirúrgico sem anestesia. Apesar das dificuldades relativas à restrição de material e de horários para realização dos curativos os resultados foram equivalentes aos esperados, visto que o paciente alcançou evolução da ferida até a fase de granulação, tornando possível a realização dos curativos no domicílio. Tais avanços ocorreram pela organização, comprometimento e integração do grupo de alunos e docentes na terapia tópica da lesão, assistindo o cliente de forma sistematizada e individualizada. O sucesso na evolução do processo de cicatrização foi notável, apontando a importância da Sistematização da Assistência de Enfermagem, a qual possibilitou uma (re)visão do papel do enfermeiro no tratamento de lesões pós-amputação, evitando assim a necessidade de novas amputações em clientes diabéticos.
Correspondência para: Maritza Rodrigues Borges, e-mail: maritza@terra.com.br
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